quarta-feira, 28 de maio de 2008

CALHEV - Gestão 5 de maio

Aqui estamos nós para a primeira postagem desta nova gestão do Centro Acadêmico de História Eunaldo Verdi - CALHEV. Como foi colocado no ato de posse, que ocorreu na ultima segunda-feira, gostaríamos de agradecer a todos que votaram, e ficamos felizes em saber que em números, a maioria dos acadêmicos do curso teve a preocupação de votar, independente da chapa escolhida, pois isso demonstra que existem pessoas preocupadas com a representação estudantil, com o movimento estudantil no curso de história e na univesidade como um todo.
Ressaltamos que todas as contribuições são bem-vindas, e como foi dito, são necessárias, por isso não deixe de dar idéias, criticar, enfim ... lembrando que além dos meios eletrônicos (blog, e-mail, orkut), pode entrar em contato, no 1º ano com o Samuca e o Bez, no 2º ano com a Taís e a Aliuscha, no 3º ano com Douglas, Felipe, Priscila e Angela.
Estamos iniciando os trabalhos essa semana, então fique ligado nas reuniões, pois como já foi colocado, pretendemos realizar nossas propostas, na medida em que for de interesse dos acadêmicos, e este interesse será demonstrado também com a participação nas reuniões.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Adeus...

Essa é possivelmente a última postagem da Gestão Unimultiplicidade. Cibele, Douglas, Felipe e eu, que conseguimos atravessar esse ano de trabalho e chegarmos vivos à última eleição queremos agradecer as pessoas que sempre estiveram dispostas a ajudar, a criticar e a trabalhar para construirmos nosso Centro Acadêmico. Foram algumas lutas: o aniversário de 20 anos, o aumento da mensalidade, a recepção aos calouros, a viagem para o EREH e no finzinho agora os 40 anos de 1968.
Agora é hora de carne nova. Felipe, Douglas, Bez, Angela, Carlos, Aliuscha, Thaís e Priscila agarraram a missão de não deixar o movimento morrer, mas é compromisso de todos nós darmos vida ao curso de história.
Abracemos a gestão 05 de Maio com força e com vontade, para lutar contra todos os problemas que nos desanimam.
Douglas Neander

segunda-feira, 19 de maio de 2008

RESULTADO DA ELEIÇÃO

A Comissão Eleitoral 2008 informa oficialmente:

ocorreu no dia de hoje a eleição da gestão 2008/2009 do CALHEV.

Dos oitenta acadêmicos do curso, 59 votaram, validando a eleição.

O resultado:

Chapa 23 de março: 18 votos.

Chapa 5 de maio: 41 votos.

Brancos/nulos: nenhum.

Dessa forma, tomará posse no dia 26/05 às 21:30 minutos na sala do CALHEV a Chapa 5 de maio.

A Comissão Eleitoral agradece aos votantes, aos concorrentes, à nós mesmas, comissão eleitoral, hehe e deseja que este um ano de gestão seja recheado de conquistas, de discussão, de críticas construtivas, de participação e integração, pautando-se sempre pelo desejo dos acadêmicos, equilibrando minoria com maioria.

Parabéns 5 de maio!

E que 23 de março continue a movimentação!

É hoje!!!!

A eleição será realizada nessa noite. Não esquecer algum documento com foto! Bom voto!!!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

1968 (3) – A paz e a guerra

Até 1968, embora os protestos contra a guerra do Vietnã fossem constantes, eles eram restritos e raras vezes passavam dos limites dos campi universitários. A partir da ofensiva do Tet eles ganharam as ruas, as praças e o mundo.

Flávio Aguiar

Artigo na íntegra aqui.

Primeira artigo dessa série aqui.

Segundo artigo dessa série aqui.

Fonte: Agência Carta Maior.

Eleição CALHEV

A Comissão Eleitoral, conforme informado às duas chapas, disponibilizou os meios de comunicação do CALHEV para divulgação das propostas.


Em oposição as atuais “práticas” do CALHEV, no que diz respeito à parte administrativa-burocrática e “cultural”. Entendemos que, Movimento Estudantil não se resume a realizar eventos e publicar o zine. Hoje o CA é eficaz burocraticamente, a atual gestão justifica a falta de ação pela pouca participação dos demais acadêmicos. A falta de mobilização é um problema não só do curso de História e da UNIVILLE,é um problema nacional,que não se resume a vontade individual de cada um participar ,ou não.
O CALHEV critica,mas não entende as razões que afastam o estudante do Movimento,que peca pela falta de eficácia prática e distanciamento da vida extra –universidade,isso, juntamente com a falta de tempo para conciliar trabalho e educação,afasta cada vez mais o estudante de suas lutas.Dessa maneira é necessário voltar nossas ações para resultados práticos e reais ,se quisermos mudança e mais envolvimento.
- Ampliar o alcance do CALHEV –indo além dos “limites” do corredor.Entrar em contato com outros cursos e chamar atenção dos alunos, para que estes realmente atuem no movimento estudantil.
- Comprometimento com as causas sociais e trabalhistas. Ater-se às questões que afligem o estudante, levando em consideração que este tem uma vida fora da faculdade.
- Discutir de modo amplo o movimento estudantil a nível nacional.
- Discutir o aumento da mensalidade desde o começo do ano. Sabe-se que o calculo é feito mensalmente, é necessário que antes de qualquer coisa esses valores estejam claros para os acadêmicos.
- Posicionamento crítico em relação ao departamento, que não se interessa por questões fora da faculdade,como estágios e outros problemas da educação publica.Alem de ter não ter votado a favor dos alunos na questão do aumento da mensalidade .
- Oposição ao DCE. Buscar contato com um possível aliado para as próximas eleições do DCE, pois sabemos, que é através dessa luta estudantil que se pode ter mudanças mais significativas.
- Esclarecer a importância da participação do (a) acadêmico (a) .Muitos desconhecem que o representante de cada sala pode (e deve) participar nas reuniões do Departamento.
- Crítica ao modelo do CALHEV “atual” e sua “política cultural”, tão propagada.O CASCA deve ser reformulado- Mudanças na comunicação - blog, mural e zine para que se apresentam os mesmo conteúdos? Alem de ser, com raras exceções, mera reprodução.
- Propomos um jornal mensal, com mais matérias de relevância.Não nos comprometemos com a manutenção de nenhuma das “políticas” até então estabelecidas pelas antigas gestões do CALHEV.
- Não nos comprometemos com a manutenção de nenhuma das “políticas” até então estabelecidas pelas antigas gestões do CALHEV.
Dessa maneira,nossas propostas visam a prática,para o refortalecimento do movimento estudantil ,utilizando de outros mecanismos do centro acadêmico sempre em prol dessa bandeira ,por isso a princípio ,não nos preocupamos em definir propostas que fogem a essa luta,acreditamos que é necessário primeiro a organização do movimento estudantil,que a muito tempo está disperso na UNIVILLE,para que depois como consequência ,se possabrigar por reformas e melhorias na formação acadêmica e na cultura.
A chapa é formada por: presidente-Edilton 3º ano/ vice - Guilherme 2ºano/ 1ºsecretaria - Maria 3ºano/ 2ºsecretario -Bruno 2º ano/ 1ºtesoureiro -Pato 1ºano/ 2ºtesoureiro -Lisandra 1ºano
BLOG DA CHAPA
www.chapa23demarco.blogspot.com

quinta-feira, 15 de maio de 2008

AUMENTO DE MENSALIDADE!

No dia 29/05, às 18:30h, vamos nos reunir em frente à Reitoria para lutarmos por mais participação no aumento de mensalidade de fim de ano!
A luta tem que começar já!
Algo que tanto nos aflige todos os anos merece uma maior discussão entre os estudantes.
É importante a participação de todos!

Nesse mesmo dia faremos à entrega das folhas assinadas para a Pro-Adm!

ELEIÇÃO CALHEV

A Comissão Eleitoral, conforme informado às duas chapas, disponibilizou os meios de comunicação do CALHEV para divulgação das propostas. Recebemos de uma das chapas e assim o reenviamos ao grupo de emails.

CHAPA 5 DE MAIO
Felipe Rodrigues da Silva (3º ano)
Eduardo Bez Vieira (1º ano)
Aliuscha de Jesus Martins (2º ano)
Douglas Bahr (3º ano)
Angela Maria Ribeiro Cardoso (3º ano)
Carlos Samuel Leonardo (1º ano)
Thais Gellert da Costa (2º ano)
Priscila D. Trierweiler (3º ano)

- Todas a propostas e idéias serão aplicadas e praticadas em função do interesse e comprometimento dos alunos, sendo que, todas estão abertas a sugestões e modificações, caso seja vontade da maioria e as idéias que os alunos não acharem viável ou conveniente, não será efetivadas pela gestão, e tais decisões dependerão da participação nas reuniões.

- Apresentar postura de uma descontinuidade com relação à gestão atual, no sentido de que, muitas posturas foram repensadas e serão trabalhadas de formas diversas pela chapa, mas não de desligamento.

- Outro ponto fundamental da gestão será a horizontalidade, de modo que os "cargos da nominata" devem ser desconsiderados, pois existem somente por formalidade, sendo que a atuação e orientação da gestão será desprovida de relações hierárquicas, sempre prezando pelas aptidões e não pelas imposições.

Propostas:

1 - Comunicação / Informação

Percebemos, que a atual gestão optou por utilizar o Jornal Mural como um expositor de variedades, e muitas vezes não havia algo de político concreto sendo exposto. Por tal motivo, pretendemos elaborar uma política editorial, para com isso fazer com que na próxima gestão ele possua espaço permanentemente reservado para assuntos da universidade, da cidade e região, uma vez que, os meios de informação e comunicação que o CALHEV dispõe, oferecem acesso a todos os acadêmicos e de certa forma ao público em geral, principalmente por sua diversidade (internet, mural, impresso), e sempre que possível utilizar o Centro de Mídia Independente e outras fontes que permitam fugir da mídia oficial.

Outra idéia é elaborar um boletim periódico, elaborado pelo CA, com a contribuição dos acadêmicos, contendo noticias direta ou indiretamente ligadas ao curso de História e as atas de todas as reuniões que o CALHEV eventualmente participaria, não apenas valorizando o meio, mas principalmente tencionando deixar todos a par do que passa-se. Os meios de veiculação do boletim seriam de forma sintetizada, o Jornal Mural e o blog, e integral através de emails, permitindo assim, que o Jacu-zine tenha um caráter mais literário e livre.

Buscar dentro do possível, pois sabemos das precariedades do FEMEH, uma articulação no mínimo informativa, e repassar as informações e discussões todas para os acadêmicos, assim como novidades e tudo o mais que esteja disponível, para uma maior interação nacional.

Ainda neste quesito, a gestão se propõe a buscar e publicar informativos com relação a promoções de livros e novas publicações, assim como uma parceria com representantes de editoras, e possivelmente livrarias, como a Faísca, Expressão Popular, Boitempo, no sentido de viabilizar uma negociação na compra em grande quantidade, ou qualquer outra coisa que os acadêmicos achem necessário.

2 – Jurídico

Precisamos quase que com urgência, fazer contatos com pessoas ligadas ao meio jurídico para buscar regularizar algumas questões jurídicas do CALHEV, relacionadas ao CNPJ, tanto quanto revisar o estatuto, pois o mesmo foi escrito à cerca de duas décadas, com adequação ao Código Civil, de modo assim possamos reativar a entidade enquanto pessoa jurídica, para que possamos efetivar determinados projetos sem depender de outras entidades ou setores da Universidade, como foi o caso da viagem do EREH.

3 – Formação dos acadêmicos

Buscar abrir espaços, juntamente ou não com o departamento, para publicações de artigos e trabalhos menores, ou qualquer outro trabalho relacionado ao campo histórico, com validação da CAPES, para que os acadêmicos da Univille estejam oficialmente mais qualificados na tentativa de conseguir bolsas para mestrado.

Continuar o processo de organização do Banco de textos, abrir para empréstimos e buscar contribuições de professores, acadêmicos, palestrantes – estabelecer política de empréstimo e montar banco de textos digitalizados, em essencial os textos obrigatórios para as aulas, a serem socializados por e-mail. (mediante a possibilidade garantida pela lei).

Elaborar projeto de aproximação dos acadêmicos com as escolas: aulas de reforço escolar ou atividades artísticas / culturais, inicialmente buscar a possibilidade com o Colégio de Aplicação da Univille, e se possível em outras escolas, para isso, será requisitada uma parceria com o Departamento, para valer horas, e para uma permissão formal.

Buscar parcerias como o SESC, a AJOTE ou pessoas relacionadas para a promoção de oficinas, também se possível valendo horas: de temáticas que vão desde técnicas para a profissão docente, até contação de histórias, expressão corporal, poesia, literatura, assim como qualquer outra temática de interesse dos acadêmicos, inclusive em espaços fora da universidade e em conjunto com outros CAS ou cursos.

Buscar espaço na Universidade ou não, junto ao Departamento, para eventos como palestras, aulas, oficinas, relacionados a Movimentos Sociais, se possível valendo horas e em horário de aula, caso seja de interesse dos acadêmicos.

Promover aulas de campo no mesmo esquema da proposta acima, valendo horas, como exemplo uma visita à Assentamentos do MST (principalmente o de Araquari, cuja disponibilidade já foi verificada) ou então Reservas Indígenas da Região, e como todas as outras propostas, aberto para novas propostas dos acadêmicos.

4 – Movimento Estudantil / Social.

Continuar e intensificar o projeto que visa à abertura das planilhas e reuniões da PROADM, buscando a participação de acadêmicos de outros cursos, assim como outros CAS, com convites através de cartas, chamar para as reuniões, ou individualmente, para futuramente estarmos mais estruturados quando acontecerem os aumentos.

Adotar postura crítica e fiscalizadora com relação ao DCE, cobrando as efetivações das propostas e outros projetos da entidade, assim como ao Departamento, buscando sempre, respeitosamente em ambos os casos, utilizar o CALHEV como instituição para apoiar e afirmar as requisições dos acadêmicos.

Continuar na tentativa de auxilio na ativação ou criação de CA's de cursos onde estes não existem ou estão parados, contudo, é prioridade resolver os problemas jurídicos supracitados em que se encontra o CALHEV, para assim criar um "modelo" de estatuto e organização, que possa ser futuramente utilizado para esse fim. Nesse ponto, queremos ser claros de que não recusaremos o auxilio à esses cursos, e tampouco uma aproximação, somente pensamos que a inversão das prioridades seja uma maneira de otimização de trabalho.

Realizar uma aproximação com Movimentos ou Entidades convergentes como o MPL, MST, CDH e sindicatos em geral de professores. Pensando que esses sindicatos de professores, serão as entidades representativas da classe em que a maioria dos acadêmicos inserir-se-á após o término do curso.

Conseguir com a Universidade, ou em outros locais, um espaço para a discussão de textos utilizados em sala de aula, para um maior aprofundamento, ou não, podendo ser utilizados textos complementares, uma vez que, isso contribuirá com o engajamento e formação dos acadêmicos, de acordo com o interesse comum. (Uma ressalva nesse ponto: essa proposta já está sendo organizada pelo primeiro ano, o que faríamos seria estendê-la)

5 – Artístico-cultural:

Sobre o CASCA (independente do nome):
- permanecer com o evento, com apresentações artísticas em geral, porém, se for interessante aos acadêmicos, abri-lo, procurando realizar no hall do bloco A ou em algum lugar mais amplo, para atingir um número maior de pessoas;
- fazer no mínimo bimestralmente, se possível uma vez por mês, uma semana de curtas-metragem, ou qualquer outros vídeos com uma curta duração, nas salas de história, priorizando os aspectos artísticos, porém sempre que possível buscar uma ligação com o campo histórico;
- participação de outros CAS, com contribuições na organização, nas apresentações, nas temáticas, e também, trazer grupos de fora do meio acadêmico. Um exemplo é os grupos de capoeira.Como já foi proposto no que se refere à Formação, buscar a realização de oficinas com cunho artístico.

6 – Financeiro / Arrecadação de fundos

Confeccionar camisetas (detalhes a serem pensados posteriormente) , por meio de stencil, e vende-las. Isso já acontece, porém de dois em dois anos. Gostaríamos, se possível, acelerar esse processo.Promover festas, cujo lucro seria voltado especificamente para as necessidades do CALHEV.

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Queriamos deixar bem claro, que esse é um planejamento de uma possível gestão, ou seja, alguns pontos dos quais nós queremos percorrer, e que pudemos prever como necessidades. Talvez aconteça de que algumas propostas com o passar do tempo tornem-se obsoletas, assim como acontecem com qualquer planejamento pessoal, no entanto, temos consciência de que se alguma de nossas propostas não forem possíveis, os academicos estiverem desacordados com elas, ou qualquer outro motivo que não pudemos prever impeça-as de serem postas em prática, teremos que substitui-las por outras que mostrem-se mais qualificadas e convergentes ao interesse da maioria.

Referente às propostas, todas elas são viáveis, e boa parte, senão a maioria, já foi verificada a possibilidade de acontecer, e até mesmo alguns contatos que seriam necessários para a efetuação das mesmas já foram feitos.

Qualquer dúvida, sugestão ou o que seja que achem relevante ser dito, estaremos a disposição para conversar e esclarecer dentro das nossas possibilidades.

Esperamos, principalmente, não que votem na nossa chapa, mas que o voto como uma opção de escolha da representatividade seja feito de uma maneira clara e sem dúvidas sobre o que está sendo escolhido.

Mas, para não fugir da nossa responsabilidade, vote 5 de Maio

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Palavras do Maikon

No presente ano está em circulação diferentes livros, artigos, comentários e afins sobre o ano de 1968, nesse presente mês é quase diário uma nova notinha ou artigo sobre o tema. O tempo de 24 horas por dia não é o suficiente para acompanhar tudo que se passa e problematiza em torno do emblemático e contestador ano de 1968.

E nessa temporada de nostalgia e quase um culto ao passado sinto um frio na barriga e nos meus pensamentos tem a singela frase “What Fuc*?, ainda mais quando uma das últimas informações recebidas é do evento que será realizado pelo Departamento de História da Univille que tem como título: “O avesso do avesso: 1968, quarenta anos depois”.

A lembrança inicial é a recente história do “movimento estudantil” da UNIVILLE e sua busca de abertura nos diálogos e canais efetivos de democracia. O último o aumento das mensalidades no final de 2007. Os professores e as professoras ficaram calados frente as reivindicações dos estudantes, sendo que o braço direito foi levantado para expressar um sim ao aumento. Talvez, essa geração poderíamos caracterizar como os filhos e as filhas de 68 e que pouco aprenderam com as barricadas dos desejos de Paris, com a primavera de Praga, dos Panteras Negras ao Luther King passando pela luta contra a guerra do Vietnam, quem sabe seja melhor nem citar as diversas frentes de luta para derrubar as ditaduras militares no continente americano, inclusive no Brasil.

Enquanto isso, hoje à noite, as chapas “23 de março” e “5 de maio” estarão debatendo suas propostas para ganhar a eleição para o Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi – CALHEV – o frio na barriga é ainda maior e a expressão “What fuc*” ganha um face um tanto assustadora. Isso acontece ao perceber que nossa geração, a dos netos e das netas de 68 não aprendemos o mais simples ensinamento de nossos avôs e avós.

A receita básica de criatividade expressa num papel por meio de tintas, assim se torna um instrumento de propaganda de suas propostas de luta no inexpressivo movimento estudantil da Univille. Já estava esquecendo, nossa geração tem acesso as diversas tecnologias para propagar as idéias de quebra da ordem estabelecida, entre elas a INTERNET. E exemplo desse meio como mecanismo para o levante social não precisa se voltar a 1968, volta-se a segunda metade da década de 1990 que diversos grupos de militância social se organizaram e ocuparam e destruíram com o encontro da Organização Mundial do Comércio na cidade de Seatle – EUA.

Quem sabe seja hora olhar as experiências do passado em que os desejos, os sonhos e as transformações ganharam as ruas, deixando de lado o culto ou nostalgia. Mas acompanhado de uma visão crítica com os pés cravados em nossa realidade. Assim poderemos divulgar e propagar nossas idéias e práticas de construção de uma sociedade baseada em democracia e justiça social. Ao contrário somente, poderemos legitimar todo o processo exclusão existente na universidade e na cidade.
Texto do Maikon, especialmente para o blog do CALHEV!

Depois de 120 anos, políticas para negros são insuficientes

Cento e vinte anos depois da proclamação da Lei Áurea, a situação de parte dos 90 milhões de afrodescendentes do país ainda é lamentável, segundo pesquisadores e organizações que defendem as políticas afirmativas para os negros.

Ivan Richard - Agência Brasil


Texto na íntegra aqui.


terça-feira, 13 de maio de 2008

XV Semana de História!

Vem aí a XV Semana de História:

“O AVESSO DO AVESSO: 1968, QUARENTA ANOS DEPOIS”

De 09 a 13 de junho, das 19h às 22h.

Local: Anfiteatro II da Univille

Música, teatro, cinema e muitas reflexões.

Aguarde programação detalhada.

> cabe fofocar que o quarto ano tá preparando uma parada da hora!

Maio 2008 - 60 anos de massacre

Por Khader Ottmann – Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
Era o ano de 1948 e o então primeiro ministro Ben Gorion, do recém criado Estado de Israel, disparou o que chamou de uma profecia. Segundo ele, o conflito árabe-israelense não duraria mais de 20 anos. Assim, os homens velhos que chegaram a conhecer a Palestina iriam morrer e os novos que nasceriam já nas terras ocupadas, não teriam nenhuma recordação do que um dia foi a Palestina. Logo, não haveria motivos nenhum para lutar por uma terra que ninguém conhecia. Mas, sua profecia não se fez.
Hoje, passados 60 anos, o povo palestino segue batendo o sino, batendo na parede, acordando o mundo, protestando contra os 60 anos de sistemática expulsão dos palestinos da suas casas e propriedades. Os velhos morreram, mas os novos não esqueceram a Palestina. A luta está mais acesa do que nunca e não apenas nos território palestinos. Aqui, no Brasil, e em outras tantas partes do mundo estamos nós, palestinos ou não, nos solidarizando com esse povo.
Que vitalidade tem esse conflito? Que dinâmica tem essa causa que, apesar de tantas décadas de opressão, faz com que fique mais atraente participar da luta? Seria por conta da injustiça que se comete sob céu aberto e todos os dias? Seria pela dor e pelo sofrimento do povo palestino, que apesar de tanto tempo não esqueceu sua pátria? Seria porque este povo vive permanente e constantemente um estado de violência covarde por parte do estado de Israel?
A pergunta que não cala é: Haverá de, um dia, o humanismo superar os interesses econômicos? Vencerão, um dia, a bravura e a resistência do povo palestino, perante a quarta maior força bélica internacional? Haverão de, as pessoas, em todo o mundo, de se posicionar ao lado do inalienável direito do povo palestino ter a sua pátria? Serão as gentes solidárias a toda essa dor?
Por ser descendente de palestino, muita gente me pergunta na rua: Será que vale o preço que os palestinos estão pagando? Não seria alto demais? A única resposta que posso ter é de que o preço da liberdade é determinado por quem está vivenciando o terror, e o preço da autodeterminação é decidido por quem está sofrendo amargura e opressão. Não me cabe decidir se é alto ou não. Estou aqui. Mas estou solidário.
Durante estes sessenta anos o povo palestino esteve, por várias vezes, perto de uma vitória histórica, uma vitória que lhe devolveria a dignidade. Mas, as forças internacionais barraram essa possibilidade por 37 vezes. Os Estados Unidos, para dar um exemplo, sempre usou o direito de veto contra as resoluções da ONU, em todas as vezes que esta instituição tentou qualquer resolução que forçasse Israel a obedecer às regras humanas e internacionais, respeitando a paz mundial. Por 37 vezes os EUA mimaram Israel e o ensinaram a desrespeitar as regras internacionais transformando este Estado num monstro, ou numa quadrilha. Tudo era e é permitido em nome da segurança, esquecendo uma regra básica: a segurança só pode vir de boa vizinhança e nunca da força bruta. Assim, sempre, foram dois pesos e duas medidas que marcaram as atitudes do Conselho de Segurança da ONU, sempre pendendo para o lado dos EUA.
Agora, não bastasse esse cenário complicado e grave, de terror de estado perpetrado por Israel nas terras palestinas, este estado cria um outro fato que contraria a ética e a geografia, ao fazer o estranho pedido de entrar para o Mercosul. Não foi à toa que, notando os sentidos políticos deste pedido, muitos deputados criaram uma frente parlamentar contra a entrada de Israel no Mercosul.
Aqui em Santa Catarina eu faço um pedido para os senhores deputados e vereadores que também criem uma frente para discutir esse assunto e que se posicionem contra. Ao presidente Luis Inácio eu deixo um apelo, um grito de dor: Senhor presidente, por favor, vete este pedido ou, pelo menos, o condicione à retirada das forças da ocupação israelense das fronteiras de 1967. O povo palestino tem direito à sua pátria. O povo palestino tem direito à sua terra! Basta de massacres e violência. Que venha o estado palestino, que venha a paz!

Palestina livre! Viva a Intifada! Resitência até a vitória!
Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
"Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana"
Contribuição de nosso amigo Maikon!

E-mail para a Reitoria

Ontem a tarde eu, Neander - seu amigo de sempre, enviei um e-mail para a reitoria. Abaixo o conteúdo do mesmo.
"Hoje em meu momento de almoço, acabei por acompanhar uma campanha publicitária nova da UNIVILLE. Percebi, já de primeiro momento, a intencionalidade de dar uma impressão de inovação, modernidade e dinâmicidade a figura do nosso Reitor, já que ele segura a própria camera de filmagem, e com a utilização outros signos durante a propaganda.
O que me deixa um pouco chateado é de novo a segregação imposta pela nossa instituição. Como percebo desde que entrei nessa universidade, os cursos de licenciatura são deixados para trás. Os dois estudantes que são convidados a dar depoimento fazem parte de um nicho de alunos muito específico. Nós de licenciatura também temos muito a dizer, e talvez nem tudo seja bonito como se passa na midia. A opção por não nos mostrar seria intencional?
No último ano um estudante de história gravou uma propaganda para a UNIVILLE. Gosto de assistir televisão, e acompanho a programação até certo ponto por bastante tempo. Tenho amigos que vêm TV, e vários conhecidos aos quais perguntei e todos disseram que, lembram de ter visto a peça publicitária que falava das licenciaturas muito poucas vezes. Eu mesmo nem sequer cheguei a ver. Porque essa exclusão?
Fico muito entusiasmado quando vejo a figura do Reitor caminhando pela universidade, acredito que esse é também o seu papel, mas talvez esteja faltando um pouco caminhar sem pressa, parando para conversar com muita atenção pelos corredores onde existem salas de graduação em licenciatura.
Sem mais."
Com a demora para obter resposta, hoje no início da tarde insisti:
"Ainda espero por resposta.
Obrigado!"
Então, agora no fim da tarde obtive a seguinte resposta, que não me convenceu!
"Prezado Douglas
Muito obrigado por suas observações, esclareço que os depoimentos a que você mencionou foram espontâneos durante as gravações.
Em momento algum foi escolhido aluno ou curso para os referidos depoimentos.
Esclareço ainda que no próximo programa "Universo Univille" irá aparecer o depoimento de acadêmico da licenciatura, tema do programa "Univille na Comunidade".
Ainda ressalto que nas pautas prevista para o corrente ano, em diversas delas serão contemplados temas relacionados aos cursos de licenciatura.
Obrigado pela interação é dessa maneira que a Universidade se fortalece na Comunidade joinvilense.
Grato"
Genesio Krumheu
Chefe de Gabinete

Semana da Cultura Negra – "Desmistificando o 13 de maio”

Diretório Acadêrmico Nove de Março promove Semana da Cultura Negra

O Diretório Acadêmico Nove de Março (DANMA) da Udesc-Joinville irá promover do dia 13 ao dia 15 de maio a Semana da Cultura Negra – "Desmistificando o 13 de maio”. A programação de palestras, exibição de filmes, apresentações culturais e debates serão realizadas no campus da Udesc-Joinville, no auditório do Bloco F.

A programação começa, no dia 13 de maio, às 11h30min, com musica ao vivo no restaurante universitário. A solenidade de abertura acontece às 18 horas, no auditório do Bloco F, com a apresentação do curta-metragem Cruz e Souza. E às 19 horas, o pró-reitor de extensão, cultura e comunidade, professor Dr. Paulino Jesus Cardoso, irá falar do NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UDESC/FAED ), do qual é coordenador.

No dia 14 de maio às 12 horas, será exibido o filme “Além do Samba” e a partir das 17h30min, serão apresentadas duas palestras, a primeira sobre “Movimento Brasil Nagô”, com a palestrante Alessandra Cristina Bernardino, assistente técnica pedagógica que terá como tema a ação do movimento negro em Joinville. Na seqüência, Arildo as Silva, da Associação de Caridade Abassa de Inkise Osoju Oba, irá falar dos Deuses do Panteon Africano – África x Brasil. E às 19 horas, Marcelo Henrique Romano Tragtenberg, do departamento de Física da UFSC e Clóvis Kuster, acadêmico de Geografia da UFSC, membros da Comissão de implementação, Avaliação e Acompanhamento, de Ações Afirmativas na Universidade Federal de Santa Catarina, irão falar sobre o processo abolicionista e as ações afirmativas de recorte racial.

No dia 15, último dia do evento, será exibido, às 12 horas, o filme Panteras Negras. E às 17 horas a apresentação do Grupo de Capoeira. A partir das 18 horas, para encerrar a programação, serão apresentadas duas palestras. A primeira, promovida pelo Movimento Negro Socialista, apresentado por Vera Lúcia, Coordenadora Estadual do MNS, com o tema “Racismo e Luta de Classes”. E a segunda, pelo instituto Afro-brasileiro Joinvilense, apresentado pela professora Maria Laura, o jornalista Fabio da Silva e a professora Mariane de Castro Eleotéreo.

O evento é gratruito e aberto ao público em geral. Mais informações através do telefone 4009 7949 ou através do e-mail danma.udesc@gmail.com

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Lutas sociais em Joinville


Se alguém está em busca de informações sobre Joinville e seus conflitos sociais (além de outros assuntos), pode acompanhar o blog Vivo na Cidade! A última postagem de nosso amigo Maikon deixa alguns links sobre o assunto da Cipla, confira!

1968(2): O confronto inevitável

O ano de 1968 foi o ano em que se catalisou uma transformação no sentido do amor, no Brasil e no mundo, como analisei no primeiro artigo desta série. Mas foi também um ano de combates, nas ruas, nas praças, nos corações e mentes. Nestes e nestas, vencemos. Naqueles e naquelas, terminamos derrotados.

Flávio Aguiar

Artigo na íntegra aqui.

Fonte: Agência Carta Maior.

Vídeo Imagens de 68 - América.

Agora disponível também o video com imagens da América em 1968. Para visualizar clique aqui!

Filmes

No próximo feriadão, os alunos do 4º ano estarão fazendo seus Projetos de Ensino. Mas se você ainda não chegou a esse derradeiro ano acadêmico, e ainda tem uma vida social relativamente agitada, que tal assistir alguns filmes? O Bruno (2º ano) nos enviou uma lista de indicações, que está aqui! Divirtam-se!!!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

tan tan tan tan tan tan PLANTÃO CALHEV tan tan tan tan

O CALHEV informa, a pedidos das organizadoras da Festa Brega, alunas do terceiro ano, que a mesma foi adiada por motivos sérios.

Ninguém sairá no prejú, pois a festa acontecerá em nova data e local a ser definido!

Assim, mais um tempinho pra prepararmos nossas roupas, cabelos, sapatos e tudo o mais!

E àqueles que tinham outro compromisso, aproveitem a oportunidade para poderem participar na nova data!

Bom final de semana a todos, cuidem-se!

Vídeo Imagens de 1968 - Europa

O vídeo com imagens de manifestações na Europa, fora da França, está no youtube. Para acessá-lo clique aqui!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Eleição CALHEV 2008/2009


A Comissão Eleitoral informa:

duas chapas se inscreveram para concorrer às eleições, abaixo indicadas, por ordem de recebimento:

Chapa "23 de Março"

Presidente: Edilton dos Santos (3º ano)

Vice-presidente: Guilherme Moraes (2º ano)

1ª Secretária: Maria Elisa H. I. (3º ano)

2º Secretário: Bruno Bello (2º ano)

1º Tesoureiro: Bruno Marques (1º ano)

2º Tesoureiro: Elisandra (1º ano)

Chapa "5 de Maio"

Presidente: Felipe Rodrigues da Silva (3º ano)

Vice-presidente: Eduardo Bez Vieira (1º ano)

1ª Secretária: Aliuscha de Jesus Martins (2º ano)

2º Secretário: Douglas Bahr (3º ano)

1ª Tesoureir: Angela Maria Ribeiro Cardoso (3º ano)

2º Tesoureiro: Carlos Samuel Leonardo (1º ano)

Diretora de Cultura: Thais Gellert da Costa (2º ano)

Diretora de Comunicação: Priscila D. Trierweiler (3º ano)

A campanha já iniciou, aguardaremos o envio de material das chapas para divulgação nos meios de comunicação do CALHEV.

No dia 14/05 (quarta-feira) haverá um debate. Estamos confirmando o horário, mas será ou às 19h ou às 21h. Estamos verificando com o Departamento um horário em que as turmas sejam liberadas sem haver necessidade de reposição desta aula posteriormente.

A eleição será no dia 19/05 (segunda-feira), das 18h30min às 19h10min, e das 20h40min às 21h, quando então será feita a apuração.

A posse será no dia 26/05

À comissão não compete nenhum comentário além de comemorar a inscrição de duas chapas e desejar igual sorte à ambas!

Bom trabalho!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

X Encontro Gaúcho dos Estudantes de História

Dias 30, 31 de maio e 1º de Junho

Unisinos-São leopoldo RS

" Os 40 anos Maios 68"

Inscrições: 01/05 à 28/05

Informações e inscrições:
http://www.egeh2008.blogspot.com/
http://br.mc559.mail.yahoo.com/mc/compose?to=egeh2008@gmail.com


Realização:
Diretório que FAZ história!!
Federação do Movimento Estudantil de História

O MITO DA LIVRE EXPRESSÃO

Prevista para o dia 04 deste mês, a marcha da maconha que seria realizada em algumas capitais do país, foi PROIBIDA por ordem da Justiça Federal e do Ministério Público. A proibição feita em cima da hora impediu, em algumas capitais, que os organizadores do evento entrassem com recursos a favor da livre expressão.

Com a proibição da marcha, manifestantes promoveram protesto “estático”, no parque Ibirapuera em São Paulo e sua tentativa sofreu ameaças da tropa de choque da Polícia Militar de dispersar a manifestação com bombas de gás lacrimogêneo.

No Rio de Janeiro, Gustavo de Castro Alves foi detido ao caminhar pela praia do Arpoador com uma cadela que estava com um cartaz defendendo a legalização da maconha com os seguintes dizeres: "a estupidez é a essência do preconceito. Legalize a Cannabis".

O artigo 5 da Constituição Federal Brasileira, no inciso XVI prevê que todos podem reunir-se pacificamente em locais públicos independente de autorização.

Vivemos sob a égide de um regime democrático, temos garantias constitucionais que legitimam nosso direito, no entanto, este Estado continua a negligenciar, impedir e punir com seu “braço forte” todo aquele que ousar desfrutar de seu papel. Impedir a liberdade social é garantir a sua soberania e o seu sustento.

Em Porto Alegre, a juíza Laura de Borba Fleck deferiu pedido de habeas-corpus preventivo, impetrado pelos advogados criminalistas Salo de Carvalho e Mariana de Assis Brasil e Weigert que assegura a realização da Marcha promovida por todo e qualquer grupo antiproibicionista de Porto Alegre. A decisão liminar ainda determinava que a Brigada Militar deveria assegurar a realização da marcha. A decisão foi baseada na garantia fundamental da liberdade de expressão e da não constituição desta manifestação como apologia ao crime.
No Recife, a marcha reuniu 1,5 mil pessoas segundo informações divulgadas no site do Terra.


"A sociedade tem que exercer o seu direito constitucional. Proibir é uma hipocrisia, um retrocesso. Todo mundo tem o direito de expressar o que pensa. Bebe-se álcool e ninguém discrimina o encachaçado. Dou força à marcha e acho que a maconha deve ser liberada. Enquanto não liberarem, a violência vai continuar. Esse tipo de proibição gera violência." – Lobão

"A Marcha é um evento sério que tem o objetivo de debater o assunto para mudar a lei que criminaliza o uso. Não queremos fazer apologia. Queremos apenas que a produção e a distribuição da maconha sejam regularizadas no País." - Gilberto Lucena Borges, um dos organizadores da marcha no Recife - PE

"Queremos discutir sobre o assunto, falar sobre os benefícios e os malefícios da maconha. Não estamos fazendo apologia ao uso da maconha, queremos apenas que o assunto seja debatido." - Ary Machado. – um dos organizadores da marcha em Vitória - ES

“Nós estamos o tempo todo recomendando que as pessoas não portem nenhuma substância ilícita durante a manifestação, lembrando que é um evento político, que tem como objetivo mudar a lei, e não uma reunião de pessoas para afrontar o Estado.” – sociólogo Renato Cinco – organizador do evento no RJ


Texto da Ali - 2º Ano.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Não fique de fora - FESTA BREGA!!!!



FESTA BREGA, DIA 10/05, NA CASA DA PRISCILA (na rua Victor Konder, 881 -Iririú) PAGAR ATÉ DIA 08/05 E IR À CARÁTER!!!!!

R$10 por pessoa!!!!!!!

Vai ter gelatina no copinho, ponche, cerveja, sanduiche, docinhos e mta diversão!!!

Informações com Priscila e Angela

(foto pra lembrar a superfestajulinadivertida que elas fizeram!)
As imagens você confere na apresentação, resta apenas amanhã (quarta, dia 8) e sexta, às 18h30min na sala A-204 e nas paredes do corredor de História, mas sem música e comentários!!!!

Sempre maio: de 1968 a 1998

Virgínia Fontes
Professora do Departamento de História da UFF

No início de maio de 1998, os estudantes de História promoveram Encontro Regional, debatendo os 30 anos de 1968. Participei, com muita satisfação, de mesa-redonda sobre o tema Maio de 1968 - Transformações ideológicas em três décadas. O texto a seguir reproduz, de forma reduzida, minha intervenção naquela ocasião.
Nós, historiadores, somos parecidos aos gatos. Embora não participemos de todas as experiências históricas - e não vivi diretamente 1968, pois então com 14 anos, ainda não me havia iniciado na participação política - temos a chance de “reviver” frequentemente situações e acontecimentos. Vivemos muitas vidas, podemos participar de muitos períodos... Menos do que um depoimento, venho assim pensar um pouco sobre as questões e os problemas que Maio de 1968 suscita ainda hoje em dia.
No ano de 1968 eclodiram inúmeros movimentos contestadores em muitos lugares do mundo: França, Alemanha, Estados Unidos, Brasil, México, dentre outros. Com formas, objetivos, alcance e organização variados, um ponto comum importante foi a questão da juventude ou, de forma mais precisa, do movimento estudantil. As similitudes, entretanto, não devem ocultar as profundas diferenças entre os processos nacionais, pois, apenas como exemplo, enquanto no Brasil expressava-se a revolta contra uma ditadura militar, suas formas de censura e atos arbitrários, em outros países, como a França, as rebeliões atingiam todas as formas de autoridade. Há aqui um vasto território de análise ainda a investir, para apreender tanto as semelhanças quanto a imensa variedade que a experiência de 1968 descortina. Em grande parte, 1968 é ainda um grande enigma.
A expressão Maio de 1968 nos remete imediatamente à experiência francesa, cujas imagens mais conhecidas são do movimento estudantil - a ocupação da Sorbonne e de outras Universidades, os afrontamentos com a polícia, os slogans, a contracultura. No entanto, não somente os estudantes foram à rua: o movimento por eles iniciado suscitou uma imensa vaga rebelde. Uma greve geral, mobilizando em torno de 10 milhões de pessoas, paralisou a França. O movimento operário, os trabalhadores rurais, os sindicatos, os professores, os diversos profissionais, em suma, a população ativa francesa participou diretamente de um movimento anti-sistêmico de grandes proporções.
Nos Estados Unidos, a reação contra a guerra do Vietnã e contra a discriminação racial também conduziria a formas de contestação anti-sistêmicas, mas de outro cunho: a recusa ao alistamento militar; as grandes mobilizações pelos direitos civis; a rejeição aos moldes do way of life antissético e bem-comportado, a recusa da competição desenfreada, expressa através da contracultura, das drogas, de utopias imediatas (os hippies e suas comunidades).
Ressaltaremos aqui alguns aspectos de ordem geral, buscando contribuir para pensarmos juntos o aporte de 1968, suas marcas mais fortes, suas características mais generosas e as transformações ocorridas nesses ideais nos últimos 30 anos.
Vale lembrar que 1968 trouxe a evidenciação de formas de construção internacional da política de novo tipo, profundamente diferente dos moldes anteriores, tanto expressos pelas Internacionais - Comunista ou Socialista - quanto pelo padrão organizador/segregador da Guerra Fria. Menos do que uma “organização”, iniciava-se uma experiência peculiar: a emergência internacional mais ou menos simultânea de grupos sociais similares (como o caso mais expressivo dos jovens) e de reivindicações próximas ou rapidamente aproximáveis. Ocorreu uma socialização crescente da política no âmbito internacional e uma ampliação da significação da própria política, que alargava-se do universo dos partidos até o nível do cotidiano, das práticas corriqueiras e, até mesmo, do conhecimento.
Em praticamente todos os casos nacionais, em 1968 há uma marca forte igualitária - contra hierarquias cristalizadas - e libertária, contra formas sociais de autoridade instituídas e fixas. Essas características se evidenciaram também no interior do mundo científico, contra definições fechadas, contra papéis circunscritos e pré-definidos. Tais “marcas” se expressam sobretudo através de uma forte contestação de cunho cultural, transparecendo nos slogans, nos cartazes, na explosão de contatos sociais através da música, literatura, teatro, de uma nova relação com o corpo, etc. Certamente, a Revolução Cultural chinesa, iniciada em 1966, ao insistir sobre a importância de transformações não apenas econômicas, mas nos hábitos, nos costumes e nas formas de pensar tinha aberto algumas interrogações, exploradas a fundo ao longo e no pós-68.
A amplitude da crítica de 1968 não pode se resumir aos jargões políticos anteriores. Havia uma profunda desconfiança frente ao estabelecimento de qualquer autoridade definida ou liderança única, qualquer que fosse o espectro da palheta política em que ela se situasse. Não apenas o poder instituído e dominante, não apenas as relações de exploração estavam sendo contestadas: criticava-se toda e qualquer forma de dominação; denunciava-se a generalização de redes de poder no interior da vida cotidiana. O conhecimento, as escolas, as organizações políticas, as associações, as instituições, as empresas; a linguagem e a moda; as relações de gênero e a família passavam a ser percebidas como produtoras também de disciplinas, hierarquias, controles e sujeição.
No âmbito das Ciências Sociais, inúmeros grupos se formavam, debatendo as mais diversas questões, tais como: que tipo de novo conhecimento se poderia formular, que não mais destilasse dominação? Como separar um pretenso Saber instituído das formas do exercício do poder legítimo? Como reunir setores sociais dispersos e separados no cotidiano (operários, estudantes, agricultores)? Como se reapropriar socialmente dos saberes produzidos por alguns?
A radicalidade da contestação recusava soluções prontas e acabadas, que destituíssem a participação popular e se erigissem em representantes unitárias e postadas acima dos demais. Recusava também saberes que se considerassem acima da sociedade, explicando-a e formulando alternativas, sem levar em conta a participação direta.
Valorizava-se as experiências individuais, a matriz subjetiva capaz de ampliar poderosamente a gama de reivindicações, de permitir novos contatos, de rejeitar a padronização e a uniformização crescentes. Valorizava-se a plena emergência dos indivíduos livres das amarras de todos os poderes.
A marca de 1968 era a radicalidade das reivindicações igualitárias e libertárias, radicalidade que ia além da denúncia da exploração capitalista e que, incorporando-a, denunciava todas as modalidades de organização da vida social atravessadas por formas abertas ou discretas de poder, de sujeição, de discriminação, de exclusão. Não apenas um simples grito de basta, 1968 era uma revolução que não admitia limites.
Enunciei uma série de contribuições, cujos aspectos positivos são evidentes. Rebeldia e ousadia iluminavam inúmeras opções até então secundarizadas na reflexão política. No entanto, os elementos de contestação generalizados em maio de 1968 incorporaram também aspectos problemáticos ou, melhor, geraram desdobramentos difíceis nos dias atuais. Para compreendê-lo, precisamos lembrar que em nenhum lugar do mundo, 1968 foi uma revolução vitoriosa.
A dificuldade de construir opções sócio-políticas mais amplas do que cada grupo ou grupúsculo propunha, com um espectro mais largo do que as fronteiras nacionais, aliada a uma intensa mediatização de apenas alguns de seus aspectos, permitiu uma acentuada mercantilização dos elementos rebeldes, traduzidos num consumo crescente de signos de rebeldia. Tentava-se transformar a rebelião contra a uniformização na homogeneização de uma rebeldia conformada - o jeans e o rock passavam de protesto a símbolos de consumo.
A ênfase na subjetividade e na cultura, elementos essenciais para a construção de alternativas sociais mais consistentes, desdobrou-se em formas complexas de segregação. A valorização das culturas, pensadas isoladamente e sem o contexto global que permite entendê-las, transmudava-se em cristalização de cada grupo social em sua própria esfera ou sub-esfera cultural (nação, etnia, gênero, opção religiosa, local de habitação, etc), reduzindo-se a dimensão igualitária.
O último desdobramento problemático dessa reapropriação perversa de 1968 é o que hoje em dia é vagamente denominado de pós-moderno - a generalização de um culturalismo fragmentado no qual se perdem as referências comuns de uma humanidade crescentemente interdependente e submetida de forma profundamente desigual à divisão internacional do trabalho.
Contra um universalismo eurocêntrico e colonizador, na ausência de uma perspectiva crítica mais ampla, adotou-se o exótico e o diferente como horizonte de fuga. Tal adoção, entretanto, não impedia a destruição/corrupção desse exótico pelas forças cegas do mercado, contribuindo para uma dessolidarização e/ou exotização turística do outro.
Por seu turno, em sua apropriação mercantilizada, a subjetividade deixava de referir-se ao conjunto da vida social para remeter ao individualismo possessivo, ao consumo como marca distintiva. Perdia-se, assim, o lado libertário e iconoclasta.
A crítica - legítima e necessária - ao totalitarismo e às formas ditatoriais de política conduziu ao abandono das reflexões de cunho totalizante, isto é, que buscassem compreender as modalidades específicas a cada momento histórico, de articulação das múltiplas relações sociais. Longe do intelectual específico pensado por Foucault, que deveria contrapor-se à formas anteriores do intelectual universal, generalizou-se uma especialização incapaz de compreender a multiciplicidade da sociedade e as condições de sua transformação.
A necessária crítica ao economicismo, ao longo do tempo, transformou-se em seu contrário. O recuo das análises críticas sobre o capitalismo e suas implicações, sobre suas formas de alteração, permanência e expansão, deixou o terreno das relações econômicas delegado ao reino dos especialistas. Estes, formados cuidadosamente sob a influência crescente do pensamento liberal (von Mises, Hayek, Friedman, entre outros), reduziram o mundo ao mercado, ou seja, à economia capitalista, transformada em horizonte intransponível.
Que questões maio de 1968 nos coloca hoje, num momento de aprofundamento da globalização e de recuo de uma série de conquistas democráticas? Eu ressaltaria três elementos a retomar:
a) retomar a ousadia e a coragem de contestar os modelos apresentados como naturais ou únicos. Nesses últimos 30 anos, outros modelitos foram “re-naturalizados”, como a eficácia, a eficiência, a competitividade, o mercado capitalista;
b) a sacralização da diferença cultural gerou uma certa desresponsabilização coletiva pelos socialmente mais frágeis (vistos como “incompetentes”). Trata-se de retomar a generosidade de 1968 que procurava, simultaneamente, a diferença e a igualdade;
c) essa coragem deve ser capaz também de desestabilizar os elementos que, derivados de 1968, foram acoplados pelo establishment: o individualismo possessivo no lugar da criatividade individual e da ampliação da intersubjetividade, o consumismo de “boutique” e da cultura como oferta barata, no lugar da generalização do conhecimento.
Enquanto historiadores que somos, na esteira do processo de internacionalização da política que maio de 1968 apontava como possibilidade, depois ampliado pelos movimentos pacificista, ecologista e até mesmo pelas ONGs, podemos iniciar a avaliação crítica de 1968, enfrentando o vácuo teórico atual de uma reflexão capaz de aliar tanto a dimensão universal quanto as formas de organização do particular, respeitando diferenças e integrando a variedade, mas sem perda de referentes comuns (até porque eles vão sendo realizados - quer queiramos ou não - pelo próprio mercado e pela expansão mundial do capitalismo). Em outros termos, aceitar o desafio de pensar articuladamente o capitalismo (e sua lógica própria de expansão) com a capacidade de construção política (democracia) e de generalização da História (como processo socialmente auto-constituído).
Esta é uma iniciativa de alunos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e este é um espaço público onde todas as colaborações políticas, acadêmicas e artísticas são bem vindas.

Fonte:http://www.ifcs.ufrj.br/humanas/0012.htm

+ Guy Debord

Guy Debord vem sendo reconhecido como um dos mais importantes pensadores do século que passou. Curiosamente, tal fato se deu somente após sua morte, em 30 de novembro de 1994 - a televisão francesa, então, exibiu um documentário sobre sua vida e obra, seguido da primeira exibição em TV de seu filme-documentário A sociedade do espetáculo, que também é título de seu livro mais famoso e exaustivamente citado como uma das mais apropriadas leituras do midiático mundo contemporâneo.
Debord foi o fundador da Internacional Situacionista (1958-1972), movimento politizado que nunca buscou a hegemonia como projeto político, mas antes o contrário, através da contestação do sistema capitalista e dos projetos revolucionários de seu tempo anunciando-lhes a derrota antecipada, já que sua força-motora era a outra metade da cara do projeto capitalista - era notória, por exemplo, sua crítica ao comunismo institucionalizado dos PCs - ou seja, a contestação crítica era sua marca pois punha-se contra a sociedade burguesa assim como aos que encenavam oposição a ele. Debord definia-se como um "doutor em nada" (veja-se seu livro Panegírico) e pensador radical. Foi um ativo integrante da geração herdeira do dadaísmo e do surrealismo, movimentos estéticos caracteristicamente críticos da sociedade capitalista. A história de Debord, se não bastasse isso, está indissociavelmente ligada às revoltas de Maio de 68 e sua vida remete diretamente a ações politizadas de transgressão dessa sociedade e de contestação de ideologias, sendo notório em sua vida um sentimento de insatisfação com o estado de coisas existentes e um esforço sempre marcante para fazer pensar, desmontando ideologias, para além de todas as crenças obstinadas que levavam à cegueira mais que à transformação social.
Maio de 68 foi marcante pelo desejo de tudo transformar em objeto de crítica, desde a vida cotidiana até as imposições sociais e econômicas que subjugam os indivíduos e os levam a sacrificar a vida ao trabalho sem sentido ou a sucumbir pela ausência dele. Aquele sentimento de revolta, mas sobretudo de reflexão, esvaiu-se praticamente no mundo contemporâneo quando assistimos apenas a partidos de esquerda amansados pelo sistema capitalista, sindicatos comodamente integrados a sistema, operários amansados, formas de representação política que não respondem mais aos anseios dos cidadãos, revoltas espasmódicas e aleatórias por hordas desorganizadas, crime organizado, miséria...
Por isso, inspirados em Debord, convidamos para a reflexão: o que você tem a dizer sobre Debord? Ou onde e como a insatisfação e uma práxis contestatória e reflexiva existe hoje? Que poesia? Que filosofia? Que política?

Ademir Demarchi - BABEL - Revista de poesia
Marcelo Chagas - Revista Critério
Fonte: http://www.revista.criterio.nom.br/indexdebord.htm

Guy Debord, o irrecuperável



Lançada, na França, a obra completa do autor que dissecou a “Sociedade do Espetáculo”. Da crítica da arte à análise política, textos revelam pensamento que, ao destacar o caráter alienador do capitalismo, defendia o direito do ser humano a inventar sua própria vida
Guy Scarpetta

É paradoxal a situação de Guy Debord no panorama intelectual francês; de um lado, todos o citam, fazem referência a ele, mesmo os personagens do espetáculo a quem ele sempre se opôs; de outro lado, impressionamo-nos com a indiferença da imprensa diante do lançamento do conjunto de sua obra em um só volume. Tal livro, além de suas obras já publicadas, traz uma preciosa coletânea de cartas, intervenções, artigos publicados em revistas e notas inéditas. É sem dúvida um acontecimento que permite, de uma só vez, vislumbrar o desenvolvimento desse pensamento, ano após ano, e encontrar sua impressionante coerência. Mas é como se a partir de agora, Debord devesse estar submetido a clichês, a fórmulas estereotipadas e vazias sobre a “sociedade do espetáculo”. Isso em detrimento da indefectível orientação revolucionária daquele que não teve, em seus textos ou em sua vida, outro objetivo além de lesar a ordem vigente, ou ao menos não lhe fazer qualquer concessão.
No início dos anos 50, Debord integrava um pequeno grupo de jovens que, na linha de certas vanguardas do início do século, esforçavam-se na argüição de que a arte estava morta enquanto fosse entidade “separada”. Defendiam que, a partir de então, a poesia deveria transbordar para a vida. Dada, pensavam eles, tentou suprimir a arte sem realizá-lo; já o surrealismo quis realizar a arte sem a suprimir. Tratava-se justamente de superar esse antagonismo. Cada vida deve ser inventada e não sofrida passivamente; a cidade (no caso Paris) é o próprio lugar da “deriva”, das aventuras (donde o escândalo que fomentaram contra Le Corbusier, culpado segundo eles de uma concepção urbanística que tendia à “destruição da rua”). O objetivo é “criar situações” – o que implica um declarado desdém por toda a arte existente, e, de forma mais genérica, por toda a cultura “alienada”, ausente de experiência direta. Podemos assim tomar conhecimento da “decomposição” dessa cultura e imaginar (segundo Lautréamont) as técnicas que nos permitem mudar esta realidade...

“A sociedade do Espetáculo” e maio de 1968
Num segundo período (correspondente a grosso modo à passagem da “Internacional literária” à “Internacional Situacionista”), Debord alargaria muito seu campo de ação, politizando-o. A contestação da cultura desemboca, necessariamente, na contestação da própria sociedade. O encontro com Marx torna-se inevitável – ainda que se trate, neste caso, de um marxismo heterodoxo, antípoda do comunismo oficial (para Debord e seus amigos, foi a contra-revolução que triunfou no século 20, quando o Estado totalitário foi substituído pelo poder dos sovietes, ou quando os levantes libertários da guerra civil espanhola foram massacrados pela burocracia stalinista ).
Debord percebe acima de tudo o seguinte: a lógica da “mercadoria”, que Marx havia analisado no sistema de produção, estende-se agora a todos os aspectos da vida cotidiana. O lazer criado pela evolução tecnológica, longe de suscitar liberdades, acaba alimentando o espetáculo, fomentando necessidades artificiais, renovadas incessantemente, submetendo nossas vidas a representações manipuladas e afetadas, que acabam virando nosso liame com o mundo. Para Debord, é a época de novas cumplicidades internacionais, de alianças táticas avalizadas por “manifestos” (e o grupo não pára de se recompor), e também de uma intensa elaboração teórica – que resultaria em 1967 nesse livro decisivo que é A sociedade do espetáculo, implacável coletânea de teses exaustivamente trabalhadas.
“O espetáculo”, escreve Debord, “não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre as pessoas, midiatizada por imagens”; a “sociedade do espetáculo” não é somente a hegemonia do modelo midiático ou publicitário; é, além disso, o “reino autocrático da autonomia mercantil, em que ela goza um status de irresponsável soberania e as diversas novas técnicas de governo que sustentam este reino”. Conhecemos o corolário: a difusão subliminar dessas teses, sua ramificação no meio estudantil, de Estrasburgo a Nanterre, e para terminar, os acontecimentos de maio de 1968, cujo espírito Situacionista aparece como um foco secreto, ardente, irradiante, talvez menos por sua influência direta (especialmente na Sorbonne, no “Comité de Manutenção da Ocupação”), do que por sua inspiração difusa. É ele quem vibra nos slogans, nos cartazes, na escrita que invade as ruas.
O que segue é mais sombrio. Debord se dá conta, em tempo, de que o que ele sugere pode, por extensão, cair no lugar comum – isto é, ser diluído numa “contestação” banalizada, conformista. De onde a dissolução de sua “Internacional” (que nunca teve, na melhor das hipóteses, mais de 15 membros), retiradas e exílios voluntários (principalmente para a Itália, em tempo de mostrar a verdadeira natureza do “compromisso histórico” solicitado pelos comunistas e de apontar, com incomparável lucidez, a manipulação e infiltração do poder estatal nas Brigadas Vermelhas).
Debord encontra então um mecenas: Gérard Lebovici, que publica seus autores prediletos (de Gracian a Orwell), e dedica uma sala à difusão exclusiva de seus filmes (já que toda essa aventura sempre esteve pontuada por uma singular atividade cinematográfica, que tentava destruir o espetáculo a partir de seu interior, usando suas próprias armas). Lebovici, seria assassinado em circunstâncias não bem elucidadas. Debord, cada vez mais irredutível e isolado em seu radicalismo, numa época em que a maioria dos partidários do maio de 68 se unem à ordem liberal instalada, dedicaria seus últimos dias defendendo-se das críticas, geralmente caluniosas, que eram feitas a ele e suas obras.

Os grandes traços do “espetáculo integrado”
Engajando-se em uma escrita a um só tempo clássica, subversiva, soberana, condensada, desabusada; não hesitando mais em evocar sua própria experiência (o que culmina no prodigioso Panegírico), em primeira pessoa – não por narcisismo (pois também o narcisismo é ingrediente do espetacular), mas para sugerir que a resistência a um mundo integralmente mercantilizado serve também para afirmar que, contra tudo e todos, um outro modo de vida é possível além daquele que nos foi imposto.
O livro maior deste último período, é certamente “Comentários sobre a Sociedade do Espetáculo [4]”, de 1988, onde Debord estende e aprofunda suas análises de 1967, deixando-nos o mais penetrante diagnóstico do mundo contemporâneo, e as chaves-mestras de sua compreensão. Um ano antes da queda do muro de Berlim ele declara que a oposição entre as formas concentrada do espetáculo (os regimes comunistas) e difusa (o capitalismo ocidental) estava a ponto de ser superada, fundindo-se num “espetáculo integrado”, reinando universalmente sem cisão. Seus traços característicos? “A inovação tecnológica permanente” (por exemplo, o produto de informática imposto, que transforma todo usuário em cliente rendido); a “fusão econômico-estatal” (a absorção do Estado pelo mercado); a “generalização do segredo” (as verdadeiras decisões são inacessíveis, o modelo mafioso triunfa no âmbito estatal); o “falso sem réplica” (pela primeira vez, os donos do mundo são também aqueles de sua representação); o “presente perpétuo” (a abolição de toda consciência histórica).
Disso resulta um universo de servilismo voluntário sem precedente (a verdadeira novidade do espetáculo, segundo Debord, foi “ter conseguido submeter uma geração a suas leis”). “Quem sempre observa para saber o que está por vir não agirá nunca, e assim deve ser o espectador”. O momento, evidentemente, não é mais o das grandes utopias coletivas, o espetáculo invadiu tudo, absorveu tudo, incluindo as críticas parciais, localizadas, de seu sistema, que visam somente efeitos periféricos – já não é possível rejeitar radicalmente esse sistema. O que enfim, com Debord, não exclui uma certa dose de nostalgia: a regressão é tal que é possível ser revolucionário ao lamentar certos aspectos extintos do passado – justamente aqueles que o espetáculo aniquilou.
No conjunto, portanto, é uma obra apaixonante, onde podemos acompanhar o desenvolvimento de Debord em todas as suas etapas, nenhuma sendo a negação das precedentes. Imperdível é o destaque de certos textos ali publicados, até então inéditos ou impossíveis de serem encontrados. Por exemplo, a “Mensagem aos revolucionários da Argélia”, de 1965, na época em que o golpe de Houari Boumedienne depôs Ahmed Ben Bella; ou o impressionante artigo de 1967, sobre a revolução cultural da China, analisada em todas as suas contradições; ou ainda, mais próximas de nossa realidade, as “Notas inéditas sobre a questão dos imigrantes” de dezembro de 1985, em que Debord lança a mais perturbadora das perguntas a respeito: a quem exatamente os imigrantes devem “se integrar”, no momento em que o espetáculo está prestes a americanizar totalmente o que resta da França?...
Há muitas análises precisas, claras, antecipatórias, sem ceder ao lugar comum (opostas portanto aos estereótipos e falta de visão da esquerda conformista). Não se trata aqui somente de perceber que Debord nunca manifestou a mínima complacência com a “turma socialista”, ou com as ditaduras de terceiro mundo. É preciso que nos perguntemos por que, com ele, é a busca do ponto de vista mais revolucionário que gera o máximo de inteligência e lucidez sobre esses assuntos.

Um cinema contra a ditadura da imagem
Outra coisa notável são os extraordinariamente interessantes textos cinematográficos. Ainda que para ele se tratasse de destruir esse código a partir de seu cerne (atacando toda a fascinação do espectador ao dissociar sistematicamente imagem e som e afirmar a primazia do pensamento sobre o “visual”, freqüentemente levado a imagens documentárias e planos distorcidos), os filmes de Debord (sobretudo essa obra-prima que é In girum imus nocte et consumimur igni) representam uma tentativa inédita de projetar na consciência (histórica e subjetiva), uma arte que a princípio dedica-se a sua supressão. Donde filmes que contêm ao mesmo tempo ensaio, confissão, meditação, compreensão do mundo através de imagens, sem paralelos além, talvez, de Jean-Luc Godard em suas últimas realizações (a nós resta lamentar que nenhum diálogo tenha sido possível entre esses dois gigantes que se detestavam cordialmente)...
Pode-se, claro, não apoiar incondicionalmente tudo o que Debord escreveu ou defendeu. Achar excessivo e injusto, por exemplo, seu repúdio quase sistemático a toda arte e literatura de seu tempo – enquanto fica claro que é exatamente toda essa efervescência criativa do século 20 que o espetáculo tende a destruir ou tornar indecifrável. Tampouco é proibido achar suspeita a tendência de Debord a gerar, dentro dos grupos de que se cercava, freqüentes rupturas, exclusões e expurgos – que se dirigiam às vezes aos mais próximos, reduzindo o caráter coletivo, e conseqüentemente político, de suas posições. Mas talvez, no fundo, esse era o preço de sua intransigência, de sua exigência quase absoluta de radicalismo – ele que sabia que todo grupo subversivo deve esperar ser, um após o outro, “desviado, provocado, infiltrado, manipulado, usurpado e refeito”. É esse radicalismo, em suma, que faz com que o pensamento de Debord seja hoje o único capaz de dar conta, de maneira crítica, de todos os aspectos da mercantilização do mundo e da “falsa consciência” que ela conseguiu propagar. É nisso que Debord se revela, apesar de todos os artifícios modistas para tornar seu pensamento inofensivo, profundamente irrecuperável. “É muito notório", escreve ele, "que em nenhum ponto fiz concessões às idéias dominantes de minha época”. Essa é a grande lição que ele nos lega; é preciso saber, como ele soube, fazê-la transbordar para nossas vidas.

Tradução: Leonardo Abreu leonardoaabreu@yahoo.com.br
Fonte: http://diplo.uol.com.br/2006-08,a1376


"Crise da sociedade mundial se agravou desde 1968", diz professor

da Folha On Line

Os movimentos estudantis de Maio de 68 foram reprimidos em todos os países nos quais ocorreram. Na França, o presidente Charles de Gaulle foi enfraquecido, mas voltou ao poder e conseguiu fazer um sucessor. No Brasil, a ditadura militar também sufocou as manifestações por liberdade. Na Tchecoslováquia (atual República Tcheca), o socialismo "humano" de Alexander Dubcek foi esmagado pelos tanques da ex-União Soviética (URSS).
Para Henrique Carneiro, professor da Faculdade de História da Universidade de São Paulo (USP), os manifestantes de 1968 não chegaram ao poder, mas obtiveram conquistas que moldaram o modo de vida atual. "As grandes conquistas ideológicas, e até simbólicas, instauraram uma política cultural alternativa. O movimento incorporou aspectos que continuam presentes hoje, como o feminismo, a revolução sexual, e a crítica às instituições".
Na entrevista, o estudioso ressalta a unidade em vários aspectos dos protestos no mundo "As notícias do movimento estudantil eram divulgadas e todos queriam entrar na mesma onda. (...) O ano de 1968 foi um fenômeno de massa em vários países, cada um com sua razão particular, mas com uma referência comum: a idéia de fazer parte de um movimento internacional", explica ele.
Segundo Carneiro, apesar da "derrota imediata", o movimento conquistou espaços na sociedade e contribuiu para os direitos dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e dos índios, além de despertar a preocupação com o meio-ambiente. De acordo com o professor, as referências dos movimentos estudantis de 1968 são as mesmas dos movimentos de hoje em dia, pois a crise da sociedade mundial não foi controlada, pelo contrário, "se agravou".
"A guerra está pior, o meio-ambiente está pior, a situação de desigualdade, de repressão e de racismo estão piores", disse o professor em entrevista por telefone à Folha Online. Veja a íntegra da entrevista com Henrique Carneiro.

Folha Online - Em relação aos movimentos atuais de ocupação de reitoria, como na UNB, na USP e nas universidades da França, qual a inspiração dos jovens em 68?
Carneiro- Isso é 68 puro. Nos EUA, ocorreu a onda da ocupação das reitorias. Columbia, em Nova Iorque, foi uma referência fundamental. Ficou ocupada por um fim de semana, e os estudantes faziam uma verdadeira vida comunitária, com eventos culturais. Todos os intelectuais iam para lá, o movimento negro participava, fazia conexão com os movimentos sociais. Então, em 68, se tornou um modelo da luta a ocupação de prédios e de instalações administrativas. Foi uma espécie de tática de luta que agora se retoma.

Folha Online - Mas o movimento se retoma com o mesmo fundo ideológico?
Carneiro- Dizer que é a mesmo coisa é exagero, mas posso dizer que está na mesma perspectiva histórica. É um movimento que continua a ter referências semelhantes, atualizações em todos sentidos, há um paralelo muito grande. Mas as invasões não são uma simples repetição que ocorrem 40 anos depois. Na França, isso tem ocorrido de forma quase episódica: em 1995, há dois anos e agora, com a nova onda de manifestações, que o ministro da Educação [Xavier Darcos] afirmou não passar de um ritual de rebeldia. Mas é muito mais do que isso. É o fato de que a crise da sociedade mundial de 1968 se agravou. Hoje em dia o mundo está pior. A guerra está pior, a situação do meio ambiente está pior, a situação de desigualdade, de repressão, de racismo. Tudo isso está pior.

Folha Online - As conquistas sociais não foram feitas com as manifestações de 68?
Carneiro- Eu acredito em uma conquista mais ideológica do próprio movimento social, que incorporou aspectos que continuam presentes, como o feminismo, a revolução sexual e a crítica às instituições oficiais.

Folha Online - Quais foram os efeitos, no Brasil e na América Latina, das revoluções na França e no resto da Europa em Maio de 68?
Carneiro- Na verdade, o movimento na América Latina teve uma dinâmica própria e, no caso brasileiro, anterior à da França. Aqui, em 28 de março, ocorreu o assassinato do estudante Edson Luiz [de Lima Souto, morto pela polícia do Rio de Janeiro durante repressão a uma manifestação contra o aumento dos preços do restaurante Calabouço, do Instituto Cooperativo de Ensino] e se deu um processo que na França só veio a eclodir no fim de abril e sobretudo em maio. Mas não foi só o Brasil. A Itália, a Alemanha e a Polônia também antecederam a França.

Folha Online - As causas dos movimentos foram as mesmas em todos os países?
Carneiro- Foram, porque havia uma unidade em vários aspectos, sobretudo no aspecto simbólico. As notícias do movimento estudantil eram divulgadas e todos queriam "entrar na mesma onda". De certa forma, essa foi a primeira geração globalizada pela televisão com transmissão simultânea por satélite. Havia um acompanhamento quase que diário dos acontecimentos, e houve uma contaminação do mesmo clima internacional. O ano de 1968 foi um fenômeno de massa em vários países, cada um com sua razão particular, mas com uma referência comum: a idéia de fazer parte de um movimento internacional.

Folha Online - E essa referência comum seria a reação contra a Guerra Fria e os governos autoritários?
Carneiro- Esse é o motivo de fundo central. Era uma oposição à Guerra do Vietnã (1959-1975), que foi decisiva nos EUA, mas também na Alemanha, já que o levante no país europeu tinha muito de solidariedade internacional. Mas também [foi um movimento] de recusa à ex-União Soviética (URSS), de recusa à polaridade em dois blocos, ambos considerados pelos manifestantes como ditatoriais e imperialistas em certa medida. Ainda mais com o processo que estava ocorrendo na Polônia e na Tchecoslováquia (atual República Tcheca), que foi reprimido pelos soviéticos, principalmente no caso tcheco.

Folha Online - O movimento de 1968 pelo mundo foi sufocado pelos governos da época. O que restou dele que dura até hoje em dia?
Carneiro- Olha, em primeiro lugar, eu concordo que houve uma derrota imediata dos movimentos, que foram violentamente reprimidos, com centenas de mortos. No caso da França foram poucos mortos, mas houve um ordenamento do governo. Nos Estados Unidos, houve uma repressão brutal, muitos mortos, e o Nixon conseguiu se eleger. No entanto, o movimento teve uma espécie de vitória em longo prazo. Houve conquistas imediatas, sobretudo na França, que serviram até mesmo para neutralizar as manifestações, por meio do aumento salarial e de várias concessões na administração universitária. Mas as grandes conquistas talvez sejam no âmbito ideológico, e até simbólico, que instaurou uma política cultural alternativa. As reivindicações feministas, dos direitos dos homossexuais, das minorias étnicas raciais, como os negros nos EUA, ou os indígenas e etc., todas essas questões se tornaram centrais, inclusive a ecológica. Ocorreu uma espécie de despertar de uma geração que passou a colocar novos assuntos na agência política. Também houve o movimento psicodélico, questionando a proibição das drogas e a existência de outras legais, como o tabaco e o álcool. Acho que isso resultou em uma reivindicação de democracia cultural.

Folha Online - Qual a herança que 68 deixou para os estudantes de hoje?
Carneiro- Há uma primeira grande herança, que foi a retomada no grande encontro contra a globalização que começou em Seattle em 1999, a primeira mobilização contra as reuniões do G7 [grupo dos sete países mais ricos do mundo] --formado por EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá-- e dos organismos financeiros internacionais. Esse movimento contemporâneo, que ainda está em andamento, se manifestou contra a Guerra do Iraque, e tem de 68 duas grandes heranças. Uma é a autonomia ideológica em relação tanto ao modelo da produção stalinista do modelo soviético, ou cubano, a busca de uma esquerda que não seja totalitária, mas que também não seja uma esquerda oficial institucionalizada, que se tornou a esquerda governante da Europa: a social democracia. A outra herança é a questão cultural. A busca de um questionamento de valores ligados à ordem moral do sistema vigente, à ordem que justifica guerras e uma série de formas de opressão ligadas ao machismo e à perseguição. A revolução sexual é outra questão importante da década de 60, com a retomada da erotização da vida. A idéia que o sexo é uma das coisas importantes de serem realizadas, e não deve ficar restrito a formas institucionais ou matrimoniais. Isso também está ligado à criação da pílula anticoncepcional, que começou na década de 60.

Na América Latina, atraso econômico e ditaduras motivaram protestos

da Folha On Line

O ano de 1968 foi o ápice do movimento estudantil na América Latina, mas os protestos na região também foram motivados pela luta contra o subdesenvolvimento econômico e as ditaduras militares, além da atmosfera de contestação cultural que se tornava cada vez mais presente em todo o mundo na época.
A Revolução Cubana foi uma das inspirações para os latino-americanos, que passaram a acreditar que a guerrilha conseguiria realizar a revolução em seus países. Conheça o contexto histórico em que viviam os países da América Latina em 1968:

Argentina
Entre 1930 e 1976, o país sofreu sete golpes militares, que tiveram como objetivo sufocar as tentativas dos movimentos populares em constituir uma sociedade democrática autônoma e obter o desenvolvimento social mais eqüitativo e harmônico.
Em 1966, o general Juan Carlos Onganía (1966- 1970) destituiu o general Arturo Illia (1963-1966), em um golpe militar chamado Revolução Argentina. A Confederação Geral do Trabalho, que surgiu em 1930 e se fortaleceu durante o governo de Juan Domingo Perón (1946-1962/1952-1955), estava desarticulada por confrontos internos. Mas, organizadas por sindicatos, as greves tornaram-se freqüentes nos anos 60 e atingiram seu ápice em 1969, com o Cordobaço (protestos em Córdoba).
Segundo o professor de história da Universidade de São Paulo (USP), Henrique Carneiro, 1968 "não foi um ano de grande movimentação na Argentina", onde o marco de grande rebelião foi o ano seguinte, em 1969, com os Cordobaço.

Bolívia
Entre 1952 e 1964, embora oficialmente existisse um sistema multipartidário, o partido de esquerda nacionalista obtinha cerca de 90% dos votos dos camponeses. A então recém- criada Central Operária Bolivariana, COB, transformou-se em um ator político com capacidade de nomear ministros e pressionar pela implementação de políticas públicas.
Um golpe de Estado em 1964 deu fim a coexistência pacífica entre partido e sindicato e iniciou um período que se estenderia até 1982. O golpe foi chefiado por René Barrientos Ortuño. Foi durante essa gestão do governo militar que se descobriu uma organização guerrilheira no território, liderada pelo revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.
A luta antiditatorial da guerrilha se somava às manifestações de índios e camponeses por melhores condições de vida. Che Guevara foi morto em 9 de outubro de 1967.

Brasil
Em maio de 1968, o Brasil vivia a ditadura militar, instaurada em 1964 após o golpe que destituiu o presidente João Goulart. O movimento estudantil, que havia começado a se reerguer em 1966, ganhou força após a morte do estudante Edson Luis de Lima Souto, no Rio de Janeiro, após uma manifestação contra o preço da comida do Calabouço, o refeitório do Instituto Cooperativo de Ensino, onde Edson cursava o segundo grau. O regime militar deu aos estudantes uma razão a mais pela qual lutar, já que se mostraram capazes de matar um deles.
Os estudantes brasileiros reivindicavam mudanças na educação, no sistema de ensino, e queriam ter participação no processo educacional, visando à democratização do ensino. Mas as reivindicações se ampliaram e passaram a pedir o fim da ditadura, gerando greves, ocupação de universidades e passeatas.
O governo militar usou os protestos como uma das formas de justificar a aplicação do Ato Institucional número cinco, o AI-5, que implantou a censura e enfraqueceu o movimento estudantil.

Chile
Em 1968, o Chile estava sob o governo da democracia-cristã do padre Eduardo Frei Montalva. As dificuldades econômicas e a perda de apoio político tornaram insustentável a continuação do partido Democrata-Cristão no poder e, em 1970, Salvador Allende, da coalizão de esquerda União Popular é eleito presidente.
Segundo o professor Henrique Carneiro, a eleição de Allende personificou a "efervescência de mobilização semelhante ao que ocorreu em 1968".
"Certamente, o Allende foi uma expressão eleitoral do clima de rebelião, de busca de uma alternativa socialista e, ao mesmo tempo, uma alternativa socialista que se distinguia do movimento soviético mais tradicional". Três anos depois, em 1973, os militares chilenos, liderados pelo general Augusto Pinochet, derrubam o governo de Allende com um golpe de Estado.

México
O México foi palco para reivindicações de liberdade para presos políticos e autonomia universitária. O movimento foi duramente reprimido, com centenas de mortos e milhares de presos.
O país não vivia uma ditadura, mas o presidente Gustavo Díaz Ordaz Bolaños (1964-1970) não era tolerante com os protestos estudantis e ordenou ao Exército que ocupasse o campus da Universidade Autônoma do México (UNAM) para por fim às manifestações, em setembro de 1968. Os protestos foram reprimidos com espancamentos e detenções.
Mas os protestos estudantis continuaram e as manifestações aumentaram de proporção. No dia 2 de outubro, após nove semanas de greves, 15 mil alunos protestaram nas ruas da Cidade do México contra a ocupação da UNAM. Forças do exército foram usadas para acalmar a manifestação e contra a multidão.
O verdadeiro número de mortos é desconhecido. Na época, o governo mexicano divulgou um total de quatro mortos e 20 feridos, mas outras fontes não-oficiais divulgaram a morte de mais de 200 pessoas.

Colômbia
A reforma constitucional realizada na Colômbia em 1968, atribuiu ao presidente do país --Carlos Lleras Restrepo (1966-1970)-- importantes funções econômicas, como o planejamento das políticas públicas.
Como contestação, renasceram as lutas reivindicatórias sindicais, com base no desejo de promover a Revolução Cubana na Colômbia.
A antiga guerrilha liberal foi convertida em movimento armado com as FARC e o ELN (Exército de libertação nacional, do sacerdote Camilo Torres Restrepo), respectivamente em 1964 e 1965. O EPL (Exército Popular de Libertação), de inspiração maoísta, surgiu em 1967.

Paraguai
Em 1960, a estrutura estatal paraguaia era representada pela figura central do presidente-general Alfredo Stroessner (1954-1989). O poder era centralizado, e reprimia com violência as organizações ideológicas da base social. As entidades representativas das forças sócio-econômicas foram excluídas politicamente.
A Lei nº 194, promulgada pelo Executivo em 1955, legalizou a repressão contra os movimentos estudantil, operário, camponês e contra dirigentes políticos dissidentes do Partido Colorado, que formaram os partidos Comunista, Liberal e Febrerista.
Emergiram então, já na década de 60, dois movimentos: o Movimento 14 de Maio e a Frente Unida de Libertação nacional (FULNA). Mas os jovens dos partidos de oposição não conseguiram transformar a luta de guerrilha em uma organização política que impedisse a formação de um governo ditatorial de Strossner. A guerrilha foi reprimida e seus representantes presos ou mortos.

Peru
O ano de 1968 foi marcado pelo início da ditadura militar peruana, realizada para conter a insurreição camponesa baseada na revolução de Cuba.
O presidente Fernando Belaunde (1963-1968) tentou implantar indústrias para contentar a população e segurar as revoltas, mas não teve poder suficiente para lidar com a direita conservadora e, principalmente com os militares, que o derrubaram.

Uruguai
Nos anos 60, o país estava em crise econômica, com a industrialização estagnada, a produção agrária em baixa e o comércio defasado. A violência política se instalou como instrumento de luta pelo poder.
Os protestos seguiram em meio a problemas de pauperização, inflação descontrolada, e fenômenos de corrupção política. Os protestos foram contidos e seguidos do golpe militar, em 1971.

Entenda o Maio de 68 francês

da Folha On Line

Em Maio de 68, a França concentrou em um mês as transformações sociais de uma década que já ocorriam nos Estados Unidos e em países da Europa e da América Latina.
Em 30 dias, os estudantes criaram barricadas, formando verdadeiras trincheiras de guerra nas ruas de Paris para confrontar a polícia. Mais do que isso, os jovens tiveram idéias e criaram frases tidas como as mais "ousadas" da segunda metade do século 20.
Em discursos nas ruas e nas universidades, em cartazes e muros, os estudantes franceses deixaram as salas de aula e se mobilizaram para dar a seus professores, pais e avós, e às instituições e ao governo "lições" sobre os "novos tempos, a liberdade e a rebeldia".
"O que queremos, de fato, é que as idéias voltem a ser perigosas", diziam os integrantes do grupo de intelectuais de esquerda chamado de "Internacional Situacionista", entre os quais o mais destacado foi Guy Debord.
A França dos anos de 1960, sob o comando do general Charles De Gaulle, era uma sociedade culturalmente conservadora e fechada, vivendo ainda o reflexo das perdas sofridas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Nas escolas francesas, as crianças eram disciplinadas com rigidez. As mulheres francesas tinham o costume de pedir autorização aos maridos para expressarem uma opinião, e a homossexualidade era diagnosticada pelos médicos como uma doença.
O Maio de 68 mudou profundamente as relações entre raças, sexos e gerações na França, e, em seguida, no restante da Europa. No decorrer das décadas, as manifestações ajudaram o Ocidente a fundar idéias como as das liberdades civis democráticas, dos direitos das minorias, e da igualdade entre homens e mulheres, brancos e negros e heterossexuais e homossexuais.
O Maio de 68 francês rapidamente repercutiu em vários países da Europa e do mundo, de uma forma direta e imediata. As ocupações de universidades se multiplicaram a partir da França, e ocorreu a expansão das mobilizações entre os trabalhadores europeus e latino-americanos, em muitos casos em aliança com os estudantes.

Ocupações e Barricadas
O movimento francês teve início na Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, que foi cercada no final de abril por estudantes liderados por Daniel Cohn-Bendit. O protesto dos estudantes logo se dirigiu à capital.
Em 5 de maio, cerca de 10 mil estudantes entraram em choque com policiais no bairro laitino Quartier Latin, em Paris, em um protesto contra o fechamento de outra universidade francesa, a Sorbonne, em Paris.
Em seguida, em 10 de maio, ocorre a Noite das Barricadas, quando 20 mil estudantes enfrentaram a polícia nas universidades e ruas de Paris.
No dia 13, estudantes e trabalhadores franceses unificam seus movimentos e decretam uma greve geral de 24 horas em Paris, em protesto contra as políticas trabalhista e educacional do governo do general De Gaule.
No dia 20, a mobilização atinge seu auge: Paris amanhece sem metrô, ônibus, telefones e outros serviços. Cerca de 6 milhões de grevistas ocupam as 300 fábricas da França.
A Universidade de Sorbonne, ocupada pelos estudantes, começa uma outra batalha, em que as maiores "armas" foram as palavras. Surgiram frases que expressavam a política "libertária" desejada pelos jovens universitários: "A imaginação ao poder", "É proibido proibir", "Abaixo a universidade" e "Abaixo a sociedade espetacular mercantil".

Mundo
É difícil precisar quais acontecimentos e protestos em outros países foram conseqüência direta do maio francês. Na Europa, Espanha, Alemanha Ocidental e Itália já viviam dias de conflitos em universidades desde o início do ano de 1968. Na Alemanha, por exemplo, uma tentativa de assassinato, em 11 de abril, do líder estudantil Rudi Dutschke aumentou a tensão em Berlim, e a revolta se espalhou por dezenas de cidades.
No entanto, após a explosão do maio francês, os conflitos se intensificaram. A Universidade de Madri, na Espanha, foi fechada pelo governo no fim do mês de maio. A polícia reprimiu violentamente estudantes e operários. Na Universidade de Frankfurt (Alemanha), estudantes da esquerda e da direita entraram em choque. Em Milão (Itália), já em junho, estudantes tomaram a sede de um jornal, impedindo sua circulação. A juventude de países do Leste Europeu como Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia, por sua vez, protestava pelo afrouxamento do comunismo de influência soviética, para eles, demasiado "rígido e burocrático". Na Iugoslávia, 20 mil estudantes tentaram ocupar as universidades do país em junho. Na Polônia, intelectuais e estudantes protestaram, em março, contra a proibição de uma peça de teatro considerada anti-soviética.As greves em massa nas universidades foram reprimidas com violência. Na Tchecoslováquia, o dirigente comunista Alexandre Dubcek introduziu, em abril, uma tímida liberdade, e falou de um "socialismo humano". Os tanques do Pacto de Varsóvia acabaram, em agosto, com a esperança suscitada pela Primavera de Praga.

Fatos marcantes de 1968 no Brasil e no mundo

da Folha On Line

O mês de maio de 1968 representou o auge de um momento histórico de intensas transformações políticas, culturais e comportamentais que marcaram a segunda metade de século 20. Veja fatos marcantes ocorridos durante o ano de 68 no Brasil e no mundo:

Antes de Maio
16 de janeiro - Estréia no Rio a peça "Roda Viva", de Chico Buarque de Holanda, dirigida por José Celso Martinez Corrêa
17 de janeiro - O cantor Roberto Carlos apresenta a última edição do programa "Jovem Guarda", no Teatro Record, em São Paulo
30 de janeiro - O Exército vietcong inicia a chamada Ofensiva de Tet, invadindo 34 capitais de Província vietnamitas e a cidade de Hue
15 de março - São desapropriados, em Cuba, os últimos estabelecimentos privados --bares, livrarias e oficinas
16 de março - Militares norte-americanos massacram cerca de 150 civis vietnamitas na aldeia de My Lai, no Vietnã
28 de março - O governo da África do Sul apresenta três leis que culminam no apartheid
4 de abril - É assassinado a tiros, aos 39 anos, o pastor negro Martin Luther King. No dia seguinte, ocorrem conflitos raciais em 125 cidades, e a morte de 46 pessoas em Washington.
5 de abril - É lançado, na Tchecoslováquia, o programa de reformas políticas que ficou conhecido como Primavera de Praga
10 de abril - Caetano Veloso participa da "Noite da Banana" no "Programa do Chacrinha" (Rede Globo)
17 de abril - 68 municípios são considerados área de segurança nacional. Com isso, ficaram suspensas, nessas cidades, as eleições municipais de novembro
28 de abril - Cerca de 60 mil manifestantes protestam, no Central Park, em Nova York, exigindo o fim da Guerra do Vietnã (1959-1975)
30 de abril - Estréia na Broadway o musical "Hair"

Depois de Maio
5 de junho - É assassinado, aos 42 anos, o senador e candidato à Presidência dos EUA Robert Kennedy
16 de junho - A polícia francesa retoma à Sorbonne, até então ocupada pelos estudantes
26 de junho - É realizada, no Rio de Janeiro, a "Passeata dos Cem Mil", reunindo principalmente estudantes, intelectuais, artistas, padres e mães, autorizada pelo governo federal.
18 de julho - Integrantes da peça "Roda Viva" são agredidos no teatro Ruth Escobar, em São Paulo. A ação foi atribuída a integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas)
12 de agosto - É lançado, com um show em São Paulo, o disco-manifesto "Tropicália ou Panis et Circensis", de Caetano Veloso e Gilberto Gil, com convidados
21 de agosto - A Tchecoslováquia é invadida por tropas do Pacto de Varsóvia, em represália à "Primavera de Praga"
24 de agosto - A França explode, no oceano Pacífico, a sua primeira bomba de hidrogênio
3 de setembro - O deputado federal Márcio Moreira Alves, do MDB (atual PMDB), discursa contra as Forças Armadas na Câmara dos Deputados, em Brasília
2 de outubro - Confronto entre estudantes da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP, em São Paulo, mata o estudante José Guimarães
10 de outubro - A Assembléia Nacional da França realiza reformas no sistema educacional do país
12 de outubro - Cerca de 1.200 estudantes são presos em Ibiúna (São Paulo), quando realizavam clandestinamente o 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes)
5 de novembro - O republicano Richard Nixon (1969-1974) é eleito presidente dos EUA
21 de novembro - O presidente Costa e Silva aprova a lei de censura de obras de teatro e cinema. É criado também o Conselho Superior de Censura
22 de novembro - Chega às lojas, nos EUA, o "Álbum Branco" dos Beatles.
13 de dezembro - Entra em vigor o AI-5 (Ato Institucional nº 5), que suprime as liberdades democráticas no Brasil. Com o AI-5, o Congresso Nacional é colocado em recesso e vários parlamentares têm seus mandatos cassados