quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ato na Praça da bandeira Contra o Aumento do Salário dos Vereadores!

Quinta-feira (25/06), às 18h, na Praça da Bandeira, entidades populares e o movimento estudantil convida todo povo trabalhador e a juventude para protestar contra o reajuste salarial absurdo de 36,24% aprovado pelos e para os vereadores.

A mobilização popular tem força para conquistar a revogação desse aumento. Vamos a luta!

Convocam esta manifestação pública:

Diretório Acadêmico Cruz e Sousa / Comunicação Social Ielusc;
Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi / História Univille;
Diretório Acadêmico Nove de Março / Udesc;
Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT SC / FEM CUT SC;
Sind. dos Trabalhadores em Inst. Ens. Particular e Fund. Educacionais do norte de SC/
Sinpronorte;
Movimentação / Movimento dos servidores públicos municipais;
Movimento pela Organização dos Trabalhadores na Educação / MOTE;
União Joinvilense dos Estudantes Secundaristas / Ujes;
Movimento Passe Livre / MPL;
Juventude Revolução / JR;
Juventude Socialista/ JS;
Grêmio Estudantil do Colégio João Colin;
Grêmio Estudantil do Colégio João Rocha;
Grêmio Estudantil do Colégio Elias Moreira.
Centro de Mídia Independente / CMI
Federação das Associações de Moradores de Joinville / Famjo;
Associação de Moradores do Bairro Adhemar Garcia;

Porquê de uma assembléia popular

Se julgarmos crime um assalto a uma propriedade adquirida por direito, fosse ela um carro ou um celular, seja esse direito obtido através do resultado de uma energia qualquer que gerou conseqüências além da sobrevivência, ou até mesmo através de uma cedência desses resultados, considerando tal coisa como um presente. Seria coerente considerarmos roubo de um direito que foi obtido através da morte de muitas pessoas e do sofrimento de outras - já que os direitos de cidadania não foram presentes dos deuses - e essa conquista constitui-se basicamente da condição de ser decidido o que vai ser feito com a propriedade adquirida coletiva por direito, nesse caso em especifico, o dinheiro público.
Viemos por meio deste, manifestar livremente que julgamos e declaramos culpados os vereadores pelo assalto a propriedade adquirida coletiva por direito, sendo os réus sentenciados ao desprezo por aqueles que os colocaram lá.
Após percebermos, no dia dez de junho deste ano, que aqueles que estão sentados na plenária legislativa joinvilense, em sua maioria, decidiram ignorar o significado de democracia - que ao elegerem-se juraram defender, decidimos tomar a frente e dar o exemplo de como a democracia deveria funcionar. Convocar esta Assembléia Popular, onde todos os presentes estão livres para manifestar-se e contribuir para o desenvolvimento da cidade, independente de partidarismo político, sendo apartidariamente conscientes que essa prática é elemento da causa dessa ruptura democrática, foi a solução por nós encontrada.
Decidimos dessa vez não fazer uso de palavras de baixo calão para não ofender ninguém, pois sofremos muito com a ofensa que nos foi feita pelos vereadores com tal atitude. Buscando assim, no âmago de nosso espírito, a tão necessária e ausente ética no meio legislativo.
Por acreditarmos que a pressão somente visa atrapalhar o desenvolvimento intelectual e espiritual, e esse desenvolvimento é necessário para um resultado melhor – qualquer que seja ele, de maneira alguma tencionamos acatá-la como prática política, apenas estamos tentando falar mais alto já que baixo não estão nos ouvindo.


CALHEV (Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi)
Contato: calhev@yahoo.com.br

Convocatória

As entidades estudantis, políticas, sindicais e populares, abaixo assinadas, vem a público convocar o povo trabalhador e a juventude para uma grande manifestação popular em defesa da absolvição do Vereador Adilson Mariano. O evento ocorrerá às 18 horas da próxima sexta-feira (20), na Praça da Bandeira.
O objetivo é demonstrar a indignação pública com a condenação absurda, inconstitucional e antidemocrática, de um ano e três meses de detenção, imposta ao parlamentar que sempre atuou na defesa dos interesses e das reivindicações populares.
Vamos requerer a absolvição do vereador ao Tribunal de Justiça (TJ) que vai julgar no dia 24 de junho, em Florianópolis, às 9 horas da manhã, a sentença condenatória proferida em primeira instância. Afinal, se for mantida a condenação, além de perder sua primariedade, Mariano poderá ter seus direitos políticos cassados.
Consideramos essa condenação um ataque frontal aos direitos garantidos na Constituição Federal, de representação, de liberdade de expressão e da manifestação de idéias, bem como um ato abominável de criminalização dos movimentos sociais.
Segundo o Juiz Criminal que condenou o vereador, Dr. Renato Roberge, Mariano cometeu o crime de “incitação a protestos” nas manifestações populares e estudantis ocorridas em maio de 2003, contra o reajuste abusivo na tarifa do transporte coletivo, imposto pelo prefeito Tebaldi (PSDB). Nada mais absurdo!
A condenação ignora as prerrogativas concedidas pelo artigo 29, inciso VIII, da Constituição Federal que assegura a inviolabilidade do parlamentar em virtude de suas palavras, opiniões e manifestação pública, não podendo ser processado judicial ou disciplinarmente por ações que estejam relacionadas com o exercício do mandato que recebeu nas urnas.
É público e notório o combate que Mariano trava na Câmara de Vereadores contra a Gidion e Transtusa, empresas que controlam o transporte coletivo da cidade através de um monopólio inconstitucional e vergonhoso de mais de quarenta anos. Ou seja, Mariano nada fez em maio de 2003, do que cumprir o programa político que lhe elegeu.
Assinam esta convocatória:
Partido dos Trabalhadores (PT), Central Única dos Trabalhadores (CUT), FEM CUT, Sindicatos dos Metalúrgicos, Sindicato dos Mecânicos, Sindinorte, Sinpronorte, Sinte, Movimento dos Trabalhadores na Educação (MOTE), Movimentação, DACS Ielusc, DANMA Udesc, CA de História Univille, CA de Letras Univille, UJES, MPL, JR, Gremio estudantil do Colégio João Colin, Grêmio Estudantil do Colégio João Rocha, Grêmio Estudantil do Colégio Elias Moeira, MNS, Famjo, Associação de Moradores do Adhemar Garcia, .......

Carta Aberta ao Prefeito Marco Tebaldi



A Comunidade Joinvilense manifesta-se contra o reajuste salarial de 36,24%, aprovado pelos vereadores, salvo os votos contrários de Adilson Mariano e Marquinhos, que elevou a remuneração de R$ 6,4 mil para R$ 8,7 mil - ou seja, um aumento de R$ 2,3 mil.

1 – As entidades e movimentos abaixo assinados vêm requerer publicamente, conforme solicitado a sua Gerente Executiva, Sra. Maria Alvina, uma audiência para discutirmos coletivamente a respeito desse abusivo reajuste. Afinal, está em suas mãos à possibilidade concreta de se fazer justiça, ou seja, vetar o aumento para que se estabeleça a isonomia, conforme ocorrido no reajuste aprovado aos servidores municipais, ao prefeito e vice-prefeito.

2 - Requeremos que sua decisão contemple o clamor da comunidade, já que o senhor tem até quinze dias para se posicionar. Entendemos como correta sua posição de se balizar pelo que é melhor para Joinville. Sem duvida alguma, que o veto a este reajuste vergonhoso é o que toda a cidade espera de Vossa Excelência.

3 - Nenhuma categoria de trabalhadores conseguiu no último período superar o reajuste de 6%. Inclusive os mesmos vereadores aprovaram um reajuste de 6% em três parcelas de 2% aos servidores municipais, ao prefeito e ao vice-prefeito. Portanto, que direito têm esses parlamentares de aprovar esse abusivo reajuste? Por que a Câmara de Vereadores de Joinville não manteve a posição isonômica aprovada em 2004, pela qual o reajuste anual dos parlamentares acompanhava o mesmo percentual concedido aos servidores?

4 – O salário dos vereadores vai subir de 15,5 para 21 salários mínimos, mais de dez vezes a renda média dos joinvilenses (R$ 858,33). É um absurdo! Sendo o vereador um servidor público, por que o seu salário é o dobro da maior remuneração de ingresso paga aos servidores públicos concursados (R$ 3.606,00), fora benefícios e verbas de gabinete?

5 – Portanto, Sr. Prefeito Marco Tebaldi, é público e notório o clamor da sociedade, requerendo que o senhor mantenha a coerência com o interesse público, vetando esse aumento desproporcional de 36,24%, legislado em causa própria pelos vereadores.

Representamos, nessa reivindicação, o desejo indignado da maioria do povo joinvilense. Caso sejamos ignorados em nosso pleito, não teremos outra alternativa a não ser buscar a revogação do reajuste na Justiça, por meio de uma Ação Popular, seguida de forte mobilização social, com fundamento legal nos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (art. 37 da Constituição Federal de 1988), bem como no princípio da economicidade (art. 70 da Constituição Federal de 1988).

Assinam este documento:

Diretório Acadêmico Cruz e Sousa / Comunicação Social Ielusc;
Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi / História Univille;
Diretório Acadêmico Nove de Março / Udesc;
Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT SC / FEM CUT SC;
Sinpronorte;
Movimentação / Movimento dos servidores públicos municipais;
Movimento pela Organização dos Trabalhadores na Educação / MOTE;
Federação das Associações de Moradores de Joinville / Famjo;
União Joinvilense dos Estudantes Secundaristas / Ujes;
Movimento Passe Livre / MPL;
Juventude Revolução / JR;
Juventude Socialista/ JS;
Associação de Moradores do Bairro Adhemar Garcia;
Grêmio Estudantil do Colégio João Colin;
Grêmio Estudantil do Colégio João Rocha;
Grêmio Estudantil do Colégio Elias Moreira.
Centro de Mídia Independente / CMI;

A triste vida de um vereador joinvilense

Tenho 22 anos e nunca acreditei em político algum. Talvez tenha acreditado neles até os 06 anos de idade, mas meu pai sempre falou tão mal de todos que nunca consegui votar em alguém. Exceção feita a Roberto Requião, mas isso é uma discussão pra outro texto em outro momento. Ontem, entretanto, algo como “meu pai tinha um pouco de razão” bateu na minha cabeça.
Os vereadores estão lá na Câmara para legislar, criar leis, mudar estatutos, fazer o que for necessário para melhorar a vida dos habitantes de uma cidade. Pois bem, ouvir os moradores talvez seja a melhor maneira de saber o que eles estão necessitando. Ontem, quando entramos no plenário, eu comecei a ver a expressão de desprezo pela nossa presença no rosto do vereador Fábio Dalonso. Foi algo tão triste que talvez eu não vá conseguir esquecer tão cedo. Ainda mais quando ele ouvia algum barulho vindo do protesto, que até então estava sendo “silencioso”. Ele olhava para o vereador que estava com a palavra e, com mais desdém ainda em sua face, dizia: “deixa pra lá”!
Hoje estava lendo o blog do Jornal O Sino, do pessoal que cursa Jornalismo no IELUSC, e fiquei sabendo que esse ser iluminado que preside a Câmara Municipal afirmou: “E se eles [os manifestantes] pudessem aumentar os seus salários?”. A mesquinharia presente nessa frase é de assustar. Ele está equiparando o seu salário com a da maioria das pessoas que vivem nessa cidade? Com algumas das pessoas que estavam ali? Em Joinville, muita gente não tem o que comer e, com certeza, aumentaria o seu salário para viver com mais dignidade, para não ter que ver um filho passar necessidades, para ter uma vida.
Eu não sabia que nossos vereadores estavam sem ter o que comer. Não sabia que estavam tendo que emprestar ternos novos para comparecer as sessões, nem que chegavam ao novo prédio municipal de ônibus lotado, ao preço de R$ 2,05 à passagem, muito menos que tinham filhos morrendo por chegarem a Postos de Saúde e hospitais encontrando os fechados.
Talvez a população joinvilense deva agradecer aos vereadores que têm, pois eles, além de darem suas vidas pela nossa cidade, ainda conseguem forças para visualizarem o futuro e calcularem uma inflação que ainda está por vir nos próximos quatro anos. Aleluia!
Obs.: Importante lembrar que os vereadores Adilson Mariano e Marquinhos votaram contra o aumento.
Douglas Neander - 4º ano

http://passaravida.blogspot.com/2008/06/triste-vida-de-um-vereador.html

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Divulgação:

A Céu Aberto

Sinopse:
Tortonho, Nó Cego, Buchuda e Maneta despertam para mais um dia, sobrevivendo a céu aberto. São quatro personagens que, com a graça do clown, experimentam o medo, a solidão e as intempéries de se viver na mendicância. Utilizam suas histórias de vida e outras artimanhas para convencer as pessoas a lhes dar esmolas. Mas um acontecimento transformará os seus caminhos...

Data: 19/06/2008
Horário: 19h00min
Local: AUDITÓRIO DA UNIVILLE

Ficha técnica:
Direção: Silvestre Ferreira
Elenco: Andréia Malena Rocha, Clarice Steil Siewert, Eduardo Campos, Vinícius Ferreira
Texto: O grupo
Músicas: O grupo
Figurino, maquiagem e cenário: O grupo
Produção: Cristóvão Petry

Sobre o Projeto:
O Sistema Único de Assistência Social – SUAS (Antiga Secretaria do Bem Estar Social), através do Programa Porto Seguro desenvolve o Projeto NÃO DÊ ESMOLA. AJUDE DE VERDADE.
Este Projeto tem por objetivo conscientizar as pessoas sobre o ato de dar Esmola. Quando uma pessoa dá esmola, contribui para:
* A permanência de crianças, adolescentes e adultos nas ruas em precárias condições sociais;
* O aumento do número de pedintes;
* O aumento de problemas de alcoolismo e drogas entre outras coisas.

O Projeto prevê uma grande campanha de Out-door, mídia de rádio e distribuição de gibis. Prevê também 30 apresentações do Espetáculo A CÉU ABERTO da Dionisos Teatro e uma conversa sobre a Projeto NÃO DÊ ESMOLA – AJUDE DE VERDADE com o pessoal do Programa Porto Seguro.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Segue abaixo o email enviado por Alexandre André dos Santos, em relação ao ofício enviado ao Reitor:

Envio esta por e-mail, pois não consegui abrir um comentário no Blog. Autorizo sua divulgação, caso julgue oportuno.Parabenizo o Calhev pela iniciativa de colocar a questão da EaD na agenda de discussão da Universidade. Entretanto, gostaria de fazer algumas reflexões a respeito, entendendo que o debate sobre o assunto comporta outras miradas...
A evolução das tecnologias de informação e comunicação (TIC) tem possibilitado transformações radicais na educação, na democratização do acesso ao ensino superior, na ampliação do acesso a oportunidades educacionais de qualificação profissional e na formação/atualização de professores e outros profissionais em remotas regiões do país.
Dou o exemplo da área da saúde, que acompanho de perto, e que tem apresentado vários exemplos dignos de nota referente ao uso dessa ferramenta tecnológica.
As experiências dos cursos EaD da ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública) e do Programa Tele-Saúde desenvolvido pelo Ministério da Saúde, oferecem alternativas inteligentes e inovadoras, fundamentadas em pressupostos construtivistas, centradas em metodologias ativas que favorecem a construção de competências, habilidades e atitudes profissionais, e que ajudam a responder em parte ao desafio de garantir universalização, equidade e integralidade ao SUS.
São experiências em que o aluno busca ser agente ativo de seu próprio conhecimento, construindo significados e definindo sentidos de acordo com a representação que tem da realidade, com base em suas experiências e vivências.
A fragilidade da distância é superada pelo desenvolvimento de desenhos pedagógicos capazes e estimular o aprendizado a partir do diálogo entre pares, a partir dos estímulos gerados pelo aprendizado originado no processo de trabalho.
As representações do aluno são re-significadas e novos conhecimentos são construídos, entendendo que em cada sujeito há um processo interno de mudanças que se faz com outras pessoas, que podem ser disparados a partir da formação em EaD.
Tais metodologias ativas possibilitam ao aluno detectar os problemas reais e buscar soluções adequadas, originais, criativas e apropriadas à realidade em que são empregadas. O conhecimento não é um conjunto de verdades prontas e escolhidas pelo professor. O estudo é um ato intencional, metódico, organizado e dirigido, que se realiza por meio de casos, relatos de experiências, exemplos, entre outros. Para a saúde pública, esta importante inovação se integra ao esforço necessário para dar conta da consolidação de um Sistema Público de Saúde (SUS) que possui desafios continentais.A partir desta idéia central, defendo que a ferramenta da Educação a Distância, num país continental como o Brasil, onde vários dos desafios são complexos e possuem escalas continentais, não pode ser descartada a priori. O atual momento em que vivemos, em que o debate do mundo que queremos ganha força, não se pode prescindir de ferramenta tão importante, com capacidade de difusão tão intensa.Creio que é preciso discutir que EaD será aplicada na Univille, e não simplesmente evitar a EaD. Penso que formar professores para lidar com este novo ambiente tecnológico poderá fazer a diferença...Por outro laod, se verifica que as tecnologias de Informação e comunicação (TIC), tem demonstrado ser uma grande arma de difusão dos projetos de mundo alternativos ao que está aí posto, e que acredito não esteja nem um pouco próximo do mundo que idealizamos. Vários movimentos recentes em nível internacional, como: a) os distúrbios nos subúrbios de Paris (2005); b) a mobilização para os protestos contra o encontro do G8 em Gênova, na Itália(2001); c) a Cúpula da OMC em Seattle(1999); provam o poder que possui esta ferramenta no acesso a informação, assim como em sua difusão e e capacidade de mobilização, demonstrando tratar-se de uma ferramenta com alto gradiente revolucionário em potencial. Para tanto é preciso encarar o debate de frente, e não evitá-lo. E ter consciência daquilo que se quer com essa ferramenta. Por isso defendo uma discussão mais aprofundada sobre qual é a proposta de EaD a ser implantada, consolidando junto a comunidade universitária, um conjunto de princípios e diretrizes que devem caracterizar a EaD que os estudantes podem defender.Espero ter contribuído na discussão e estou aberto ao debate franco e sincero.

Alexandre André dos Santos - Tecnico Especializado do Ministério da Saúde. Geógrafo formado pela UNIVILLE, Mestre em Geografia pela UnB.

sábado, 7 de junho de 2008

Oficio para o Reitor

Bom, como a maioria deve estar ciente, o Reitor da Univille fez algumas afirmações intrigantes em sua entrevista para o Jornal A Noticia (que pode ser conferida aqui: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a1924914.xml&template=4187.dwt&edition=9984&section=885).Como foi discutido durante a reunião do dia 4/06, modificamos o ofício, que foi entregue da seguinte forma:


CENTRO ACADÊMICO LIVRE DE HISTÓRIA EUNALDO VERDI – CALHEV
GESTÃO 5 DE MAIO
OFÍCIO/CALHEV Nº04/2008 Joinville, 06 de junho de 2008

Magnífico Reitor,

Nos sentimos perplexos, e ao mesmo tempo indignados com algumas de suas afirmações no jornal A Notícia da data de 02/06/2008, principalmente no que se refere ao assunto de EaD – Educação à Distância – nas instituições de ensino do sistema ACAFE, em especial na UNIVILLE.
Nós, estudantes de licenciatura do curso de História, representados pelo CALHEV – Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi, viemos por meio deste expressar nosso repúdio à EaD, especialmente nas licenciaturas, pois acreditamos que a formação do profissional da educação vai muito além do domínio dos conteúdos específicos, acontecendo necessariamente através da troca social, que não ocorre plenamente em “ambientes virtuais”. Como podemos visar uma educação mais humanística se reduzimos a interação humana do processo? Concordamos que “formar professores é fundamental para a comunidade”, então, o que estamos discutindo é a qualidade dessa formação, pois como o senhor deve mesmo afirma, “temos que nos valer pelo trabalho de qualidade”.
O fato é que não concebemos que, qualitativamente, as duas modalidades de formação se equivalham. No decorrer de nossa formação, podemos notar através de teóricos da educação (e o senhor como professor deve saber mais do que ninguém), que o contato professor/aluno é tão importante no processo de construção do conhecimento quanto o contato conteúdo/aluno.
Ao ler sua entrevista nos perguntamos: baseado no que, e até que ponto se pode dizer que a implementação da EaD é inexorável? Afinal, no meio educacional (inclusive nas discussões de sala de aula na própria UNIVILLE) podemos perceber uma grande oposição à ela. Dessa forma, exigimos que seja realizado um debate na Universidade, envolvendo corpo discente e docente, para que os mesmos possam expressar seus posicionamentos em relação ao assunto.
Exigimos também uma explicação pública mais detalhada com relação à sua postura sobre EaD nas licenciaturas, já avisando de antemão que, se essa for contrária ao interesse geral, não hesitaremos em utilizar de todos os instrumentos de manifestação que o sistema democrático nos proporciona para fazer prevalecer os interesses dos acadêmicos.

Aguardamos ansiosamente sua resposta.



Segundo pessoas do CA de letras, que também se manifestaram, o Genésio prometeu que teriamos satisfações assim que o Reitor voltar de viagem, porém esperamos ter nós a nossa resposta.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Semana de História




09/06/08

ARTE E RESISTÊNCIA:
uma experiência cênica na licenciatura
Profª Ilanil Coelho – Depto de HistóriaProf.
Silvestre Ferreira – professor e diretor teatral
Acadêmicos do 4° ano de História.

10/06/08

DAS LEIS ÀS MEMÓRIAS MILITANTES
Aparato Institucional e Práticas na Ditadura e Democracia
Prof. Luiz Gustavo Rupp – Depto de Direito
1968... eu estava lá... e sobrevivi!Antônio Ramos Gomes, ex militante da Ação Popular

11/06/08

O Imaginário e a Organicidade dos Comunistas em Santa Catarina
Celso Martins, jornalista e historiador
Lançamento do livro “Os Quatro Cantos do Sol: Operação Barriga Verde”

12/06/08

Teatro, Censura e Resistência em tempos sombrios
Cristóvão Petry, ator e produtor cultural
Hélio Muniz, ex-ator do Teatro Arena

13/06/08

Cinema com Pipoca“OS SONHADORES” (2003) - Direção de Bernardo Bertolucci
Debatedores:
Prof. Afonso Imhof – Depto. História
Prof. Nielson Ribeiro Modro – Depto. Letras/Cineducação

EVENTOS PARALELOS

Exposição(1964 – 1984)Com Humor é Outra História.
Local: Hall do Bloco C

Instalação Cenográfica
É proibido proibir!
Local: Hall do Bloco C e nos jardins do Campus Joinville.

Educação, produto; EaD, formação.

Frustração, desânimo e revolta, são algumas das sensações e sentimentos quem nos vêm quando paramos para pensar que centenas de pessoas (que são matriculadas nos cursos de licenciatura da UNIVILLE) em um certo momento de suas vidas resolvem dedicar o seu tempo a discussões, aulas, leituras, trabalhos, e além do tempo, seus ganhos, (levando-se em conta que boa parte ou a maioria dos estudantes são trabalhadores e que a mensalidade da “nossa” universidade não é nem um pouco “generosa”, ou é bastante generosa - e este é outro ponto que deve ser debatido) com vistas a se tornarem professores e contribuírem com a educação de uma fora geral, e no meio dessa trajetória, o reitor desta universidade em um meio de comunicação amplamente difundido no contexto regional, que é o jornal A Notícia faz afirmações como as que foram feitas na ultima segunda-feira.
Vamos às declarações[1]:

“Estamos sintonizados com o que a comunidade precisa, e isso nos mantém fortes”
“Não é só a venda do produto. Que tipo de profissional vamos formar?”
“Isso porque temos um viés menos mercadológico, mais preocupado com as necessidades regionais”
“Nós temos o papel de comprometimento com o Estado, com a cidadania. Formar professores é fundamental para a comunidade e levamos isso em conta”.
“A N - Então a EaD vai crescer na Acafe?
Koehntopp – Com certeza. Eu fui mais conservador na UNIVILLE neste aspecto, até porque as prioridades de investimentos eram outras. Hoje, a plataforma da Unisul é boa. Se a Unisul compartilhar conosco, em questão de dias o número de alunos explode.
“A EaD vai acontecer, é inexorável”

Se há uma “sintonia” da universidade com o que a comunidade necessita, há então a visão de que necessitamos de educação, e não só de formação universitária, mas de educação básica também. Para isso, é necessário formar professores, ou seja, pessoas precisam estudar para que possam se “habilitar” e atuarem na educação. E ainda não é apenas isso, pois, “que tipo de profissional vamos formar?”

Mesmo com a graduação ainda em curso, tenho alguma carga de leituras e reflexões que me levaram a construir uma concepção de educação. E nesta concepção, inclusive “influenciada” por alguns professores, certos pontos são essenciais: a educação é um processo que se dá através da interação social, do debate, reflexão, argumentação de idéias, pesquisa e pelo contato entre professor e educando. Ao que parece, o ensino à distância não tem condições de oferecer tais oportunidades. O máximo, na minha visão, que um “ambiente virtual” poderia oferecer é uma reprodução de saberes e de modelos, que nada tem de emancipador ou educacional, mas visa apenas garantir a manutenção da ordem estabelecida.

Outro ponto que me parece bastante contraditório: serão “formados” professores sem ao menos ter tido aulas? Como pode-se então falar em qualidade do profissional que formará, se nem ao menos esta experiência tiveram? Da forma como as coisas se encaminham isto se torna indiferente já que os futuros educandos dos professores formados em EaD tendem a ser “virtuais” também. E pensar que o que discutimos na Universidade é uma educação mais humanística e menos tecnicista.

Sabemos que existe o fator da qualificação para o mercado de trabalho, já que na atual conjuntura as mudanças na organização da produção exigem um profissional que necessariamente deve possuir uma formação maior e melhor, e ainda que existem inúmeros interesses econômicos e político-ideológicos relacionados à educação, como a questão da diminuição de gastos nessa área, por exemplo. Mas se o importante “não é só a venda do produto”, ou seja, só corresponder à demanda empresarial, outro motivo para repudiarmos a educação à distância.

Para finalizar esta exposição de fatos e reflexões, penso que nós, futuros professores e o Sr. Reitor, que também é professor, devemos debater esta questão na UNIVILLE, pois como disse Rousseau: “todo homem tem naturalmente direito a tudo o que lhe é necessário”[2], se a educação é necessária e temos direito a ela, é “inexorável” o debate sobre que educação queremos.


Felipe Rodrigues da Silva

[1] Entrevista publicada no jornal A Notícia de 02/06/2008 – ANGeral p. 12
[2] ROUSSEUAU, Jean-Jaques. O Contrato Social. Porto Alegre: L&PM, 2007.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Universo Univille - Parte II


É de se ficar impressionado como eu tenho boas idéias quando não posso escrevê-las, acontece muito comigo, principalmente quando estou tomando banho. Outro dia estava assistindo um programa de madrugada na Record News e tinha uma pessoa explicando o fato, mas eu tava com sono e não vou me lembrar exatamente, porém tem relação com a água e tudo mais.
Comecei a pensar na minha decepção com as palavras que li ontem do Reitor da UNIVILLE, e que já comentei um pouco em outro texto. Não sei por que, talvez pelo que ouvia em sala de aula de alguns professores, eu acreditava mesmo que a nossa instituição tinha um posicionamento contrário ao Ensino à Distância e que, talvez, até pudesse levantar essa bandeira que mexe tanto com o cotidiano acadêmico. Alguns com quem conversei ontem me disseram que foi um equívoco de expressão, e que não haverá EaD na nossa universidade. Tomara, mas mesmo isso sendo verdade, ainda muita coisa deve ser dita.
O Ensino à Distância é sem dúvida outro grande problema que a educação brasileira vai enfrentar. Não é possível que se cogite a possibilidade de preparar pessoas para dar aula, sem que essas mesmas tenham tido aulas. Sabe-se que um ambiente de construção de conhecimento só acontece na discussão, no contraste, e não existe embate virtual: vídeo conferências e messengers não tomam o lugar do debate. A argumentação ao vivo e pessoal sempre foi e vai ser sempre, acredito eu, a única maneira de uma conversa render frutos aprofundados, saindo do senso comum. EaD não oferece essa possibilidade.
Sabemos também há anos que o aprendizado não se dá apenas nas salas de aula, mas também nos corredores, nas conversas informais com professores, no encontro com outros cursos e até mesmo, porque não, em festas e encontros nos bares que circundam nossas instituições de ensino. Tudo isso não existe nessa nova alternativa educacional que está se implantando em nosso país. Os professores formados em Ensino à Distância têm tudo para não construírem um ambiente crítico em sala de aula, e sim simplesmente reproduzirem as falas dos grupos vigentes, perpetuando ou aumentando ainda mais as desigualdades sociais. É importante deixar muito claro que esses profissionais não são menos capazes, só não tiveram acesso a uma educação de qualidade.
Então nosso Reitor vem a público e têm falas que parecem apoiar esse sistema (vamos partir daquela idéia de falha de expressão). O trabalhador que está todo o dia o dia inteiro no serviço, e tem como único meio de informação o jornal, vai ler aquela matéria, legitimada por uma pessoa acima de qualquer suspeita, e pode não perceber essas problemáticas que moram mais profundamente nessa questão. O estudante de Ensino Médio que tem pouco acesso às fontes de informação, infelizmente, pode ter a mesma impressão e optar por um ensino nesses moldes pelo fator econômico. A partir daí fecha-se o círculo vicioso: aquele que sofre a carência de acesso à educação, ao invés de buscar alternativas, acaba se enquadrando ao processo. Por isso é preciso que um reitor tome mais cuidado com as palavras que usa.
O que se faz preciso realmente é mostrar a comunidade joinvilense o quanto esse processo de adoção do sistema à distância é prejudicial para ela. Deve-se trazer o problema aos meios de comunicação, ao conhecimento de todos e buscar a comunidade para lutar junto aos estudantes pela conquista de uma educação de qualidade e para todos. E não são apenas esses problemas que a UNIVILLE tem: há o aumento das mensalidades, que é feito de uma maneira muito obscura, há a falta de representatividade do Diretório Central dos Estudantes e, com relação às licenciaturas, há o sucateamento dos aparelhos tecnológicos e os professores que há muito não se atualizam.
Ontem acabei fazendo o vídeo de propaganda sobre o curso de História. Não pude falar nada que gostaria e devo aparecer sorrindo e falando coisas bonitinhas sobre nossa instituição e sobre esse famoso corredor. Mas é preciso mais espaço nos jornais impressos, telejornais, rádios, a comunidade tem que saber dos nossos problemas para junto dos estudantes lutarem por uma Joinville melhor.
Contribuição Douglas Neander - 4º ano.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Universo Univille

Há alguns dias tive uma troca de e-mails com o chefe de gabinete da reitoria da UNIVILLE, Genésio Krumheu. O início da conversa está postado no blog do Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi, e se deu pela observação da nova campanha publicitária da Instituição que mais uma vez excluia as licenciaturas. Meu e-mail foi respondido evasivamente e eu acabei me sentindo na obrigação de ser mais direto na minha crítica, só que este meu último texto não está no blog de história. Colocarei aqui o que ele recebeu naquele dia e não me respondeu mais:
Nesse depoimento existirá alguma fala que mostra o descontentamento com os aparelhos tecnológicos em má condição de uso que nós temos em nossas salas? Algo que enumere os problemas com o corpo docente? Professores que há muito não se atualizam e ministram a mesma aula desde a década de 1970? Haverá uma discussão sobre a sempre crescente mensalidade? Será lembrado o fantasma do Ensino a Distância que tanto nos aflige?
Esses são elementos que a comunidade também precisa conhecer, afinal nós que aqui nos formamos iremos dar aulas para toda essa população que assiste televisão. Nesse contextos nós, estudantes de história, estamos dispostos a mostrar a nossa cara nas próximas campanhas publicitárias da UNIVILLE e trazermos a conhecimento público as discussões que nos atormentam.
Hoje pela manhã a professora Marta, chefe do departamento de história me ligou. Disse-me que querem gravar um depoimento meu para a campanha publicitária da UNIVILLE. Aceitei, sem muita reflexão. Penso que pode ser uma oportunidade de dizer algo que valha a pena se ouvir. Acredito que eles querem escutar coisas boas sobre nossa universidade, e eu estava disposto a fazer isso elogiando o fato dos nossos professores e, aparentemente, a Reitoria manterem uma postura firme frente ao Avanço do EaD. Então, para ter um balde de água fria jogado sobre o corpo, leio a entrevista de nosso Magnífico Reitor para o jornal A Notícia, que o companheiro Maikon colocou na comunidade de História no Orkut.
AN - Unisul e Univali têm investido pesado em educação a distância (EaD). A Univille, que o senhor comanda, é mais conservadora. Como lidar com essa diferença de visão e de gestão?
Koehntopp - A partir do momento que as instituições se comportam realmente como sistema, haverá mais compartilhamento. No caso da EaD, a plataforma da Unisul será difundida entre os membros da Acafe, e haverá mais homogeneização. Isso fará com que tenhamos mais qualidade entre todos.
AN - Então a EaD vai crescer na Acafe?
Koehntopp - Com certeza. Eu fui mais conservador na Univille, neste aspecto, até porque nossas prioridades de investimentos eram outras. Hoje, a plataforma da Unisul é boa. Se a Unisul compartilhar conosco, em questão de dias o número de alunos explode.
(Entrevista na íntegra aqui.)
Estou realmente triste. Hoje vindo para o laboratório trouxe o CD Urban Hymns do The Verve pra ouvir, e nunca imaginei que a melancolia das músicas seria tão condizente com o meu estado de espírito. Esse curso de História fez tanta coisa boa na minha vida, me trouxe um crescimento pessoal tão grande nas aulas, no corredor, no bar e nas conversas que imaginar que isso pode estar com dias contados me tira um pouco a esperança.
Mas me deixa cheio de vontade de fazer alguma coisa ver alguem "comprometido" com a educação, um Reitor de uma universidade, tratar o Ensino a Distância como algo natural e até positivo para a educação. Ainda mais depois de afirmações sobre déficit, licenciaturas sem procura e cursos rentáveis como o Direito. Isso é acostumar paulatinamente a população com idéia de que as licenciaturas tem que ser à distância. Revoltante.
As licenciaturas estão esvaziadas mas não estão mortas, ainda temos os Centro Acadêmicos mais atuantes e temos tempo pra agir. Tentarei dar alguma força hoje, e vamos ver o que eles me deixam falar nesse depoimento televisivo.


Fonte: http://passaravida.blogspot.com/ - blog do Neander