sexta-feira, 26 de setembro de 2008

CASCA - Ditadura e Liberdade de Expressão





O CALHEV está organizando o CASCA – Centro Acadêmico de Socialização, Cultura e Arte.

O tema do CASCA é Ditadura e Liberdade de Expressão. E escolhemos tal tema por alguns acontecimentos recentes em nossa cidade: as discussões acerca da ditadura no A Notícia, na sessão de opiniões nas ultimas semanas e principalmente pela prisão do estudante de história e ativista do MPL, Kleber Tobler, durante as manifestações do Grito dos Excluídos no ultimo dia 7. O CASCA será realizado no Hall do Bloco A, na terça, quarta e quinta da próxima semana. Antes do horário da aula haverá exibição de filmes sobre o tema e no intervalo apresentações artísticas de estudantes de história, geografia, letras e artes.

Programação:
filmes:
Na Quarta-feira - 01/10
Curta Metragem Brasileiro
Nome: Baseado em Estórias Reais.
Direção: Gustavo MoraesDuração de 16 minutos.
Na Quinta-feira - 02/10
Média Metragem sobre o Chile
Nome: 11 de Setembro de 1973, a resistência final de Salvador Allende
Direção: Patrício Henríquez
Duração: 56 minutos.

As apresentações artísticas:

Dias 30/09, 01/10 e 02/10 (terça, quarta e quinta da próxima semana)
Apresentações artísticas de poesia, música, entre outras de acadêmicos dos cursos de geografia, história, artes e letras.
Nos três dias durante o intervalo (das 20:40 as 21 horas)
Os interessados em se apresentar, basta entrar em contato com alguém do CALHEV, ou ainda através do BLOG, comunidade ou e-mail.

PARTICIPE E AJUDE A DIVULGAR!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Atas das reuniões dos estudantes de licencitura

As atas da Assembléia das licenciaturas, em que compareceram acadêmicos de 4 cursos e as duas reuniões posteriores.
Ata da reunião de estudantes de Licenciatura da UNIVILLE – 17/09/2008.

Ao dia 17 do mês de setembro do ano de 2008 as 19 horas, os estudantes dos cursos de licenciatura da Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE, reuniram-se para discutir pautas pertinentes a criação do Conselho de Licenciaturas.
Nesta reunião, foram expostos os motivos da criação do conselho, bem como questões discutidas na reunião passada, para aqueles que não estavam presentes. Foi dado início a confecção do Regimento Interno do Conselho, tendo sido discutidos pontos gerais como a composição do Conselho e suas competências, que serão apresentados na próxima reunião, que ocorrerá no dia 24 de setembro.
Nada mais havendo para tratar no momento, encerrou-se a Assembléia e a presente Ata.




Ata da reunião de estudantes de Licenciatura da UNIVILLE – 24/09/2008

Ao dia 24 do mês de setembro do ano de 2008 as 18h30min horas, estudantes dos cursos de licenciatura da Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE, reuniram-se para dar continuidade a criação do Conselho de Licenciaturas.
Nesta reunião, foram discutidos novos pontos Regimento Interno do Conselho. Ficou combinado que a data da próxima reunião será a principio dia 02 de outubro, as 18h30min,
Nada mais havendo para tratar no momento, encerrou-se a Assembléia e a presente Ata.


Ata da Assembléia realizada com estudantes dos cursos de Licenciatura da UNIVILLE -09/09/2008


Ao dia 9 do mês de setembro do ano de 2008 às 19 horas, os estudantes dos cursos de licenciatura da Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE , reuniram-se em assembléia para discutir assuntos pertinentes aos cursos.
Aprovou-se dar inicio ao processo de criação de um Conselho com representantes de todas as licenciaturas. Partiu-se da necessidade de se criar um órgão que pudesse representar as licenciaturas nas diversas esferas da universidade, visto que o DCE – Diretório Central dos Estudantes é uma representação geral dos estudantes, e não corresponde o interesses dos cursos em questão, que são minoria numericamente falando.
A seguir, foi discutido o problema do atual primeiro ano de Geografia, que consiste no fato de que, a turma tem interesse de entrar na nova grade do curso no próximo ano, porém, os acadêmicos que recebem bolsas referentes ao ENEM seriam prejudicados, caso refizessem o primeiro ano. A sugestão que surgiu seria a de implantar ao mesmo tempo, um primeiro e um segundo ano com a nova grade, de modo que as disciplinas que faltassem poderiam ser feitas após o quarto ano.
Fica registrada também a sugestão do acadêmico Eduardo Bez para o possível nome do conselho: CEL – Conselho de Estudantes de Licenciatura.
Ficou decidida a data da nova reunião, que ocorrerá no dia 17 de setembro, possivelmente no mesmo local, para novas deliberações e uma tentativa de discutir a questão do primeiro ano de Geografia descrito acima, com a Chefe de Departamento, Brígida Maria Erhardt.
Nada mais havendo para tratar no momento, encerrou-se a Assembléia e a presente Ata.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Palestra Criatividade e Educação – Criatividade e Sala de Aula com Dr. David de Prado – Espanha (30 set - 13h30 às 17h30)
Origem: Capacitação
Data: 30/09 Horário: das 13h30 às 17h30.
Local: ACIJ.Vagas: 100.
PalestraCriatividade e Educação – Criatividade e sala de aulaProf. Dr. David de Prado – Espanha
Objetivos
• Compreender a importância da criatividade dentre os pressupostos da educação;
• À luz da experiência dos profissionais do ensino-aprendizagem analisar e construir estratégias que envolvam metodologias criativas e expressivas que criem nichos de valores e didáticas sensíveis na relação educadora, para que sejam promovidas técnicas criativas e lideranças pedagógicas humanizadoras, mas atentas aos limites.

A Quem se Destina: A todos os profissionais da educação.
Data/ Horário/ Local
30 de setembro, das 13h30 às 17h30, na ACIJ.

Instrutor

Prof. David de Prado Diez

Doutor em Ciências da Educação com a tese sobre "modelos pedagógicos criativos para a mudança" 1986 Licenciado em Filosofia Pura 1968; Licenciado em Filosofia Pura 1968; Licenciado em Filosofia e Ciências da Educação 1968; Mestre em Artes pela Universidade de Stanford 1973; Professor titular da Universidade de Santiago de Compostela em Orientação Educacional, Teoria e Técnica Criatividade, - Métodos Criativos de Relaxamento; Fundador da Organização Internacional de Mestrado de Criatividade Aplicada Total, do Grupo IACAT, desde 1994; Diretor da coleção de Monografias do MICAT; Diretor da Revista Internacional de Criatividade “ RecreARTE”; Conferencista, consultor e formador sobre inovação, criatividade e desenvolvimento humano (educação, cultura e sociedade).

Informações Pelo Fone (47) 3461-3344 ou pelo e-mail capacitacao@acij.com.br

Realização
BOM JESUS/IELUSC
http://www.ielusc.br/


Quem se interessar nos procure no dia 24/09 em horário de aula que teremos informações maiores sobre preços e requisitos.

3ª reunião das licenciaturas..!


3ª reunião das licenciaturas..!

Amanha, quarta-feira, dia 24 , as 18:30 horas, acontece a terceira reunião dos estudantes de licenciaturas. Vamos continuar discutindo a formulação do CEL - Conselho dos Estudantes de Licenciatura, com a continuação da estruturação de um regimento, através de modelo para em seguida fazer os devidos registros jurídicos. Se ainda houver necessidade, discutiremos também problemas referentes a reestruturação dos cursos e possíveis ações nesse sentido. Será a princípio no Erivas, (cantina perto do DCE) . Na próxima postagem referente a esta ação do CALHEV, publicaremos as atas das reuniões para que todos fiquem a par do que está acontecendo. Isso, porém, não exclui a necessecidade de que você participe do processo, então...
Participe!!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

2ª reunião das licenciaturas..!

2ª reunião das licenciaturas..!

Será hoje, a partir das 19 horas, a segunda reunião dos estudantes de licenciaturas. Vamos discutir a formulação do CEL - Conselho dos Estudantes de Licenciatura e ainda problemas referentes a reestruturação dos cursos e possíveis ações nesse sentido. Será a princípio no Erivas, (cantina perto do DCE) e por falta de comunicação, alguns irão concentrar em frente ao Anfiteatro II caso alguém se perca.
Participe!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Assembléia das Licenciaturas

Lembramos que hoje (09/09) ocorrerá a assembléia das licenciaturas no Anfiteatro II, em frente a biblioteca, a partir das 19 horas. Todas as licenciaturas foram convidadas, seja pessoalmente, através de contatos no curso ou e-mail, porém, apenas história, biologia, geografia e letras confirmaram presença. A pauta é: Assuntos relacionados as licenciaturas (ou seja, quase uma pauta livre). Tentaremos também, levantar a discussão de uma possível chapa para o DCE. As turmas não estarão liberadas, em nenhum curso, por motivos de agenda dos departamentos e interesse (infelizmente não são todos os acadêmicos que se interessam por tais discussões), portanto, quem tiver interesse em participar, deve faltar a aula.

Estudante de História é preso no desfile de 7 de setembro



No ultimo domingo, dentro dos desfiles oficiais de 7 de setembro da cidade, ocorreu o grito dos excluídos, que em Joinville contou com a presença do, MPL Joinville, UJES, JR, Coletivo Casa Cultural, GEIPA (Grupo de Estudos das Idéias e Práticas Anarquistas) e Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi - CALHEV.



Ao fazer uma alusão ao período da ditadura militar, o ativista do MPL e estudante de História Kleber Tobler, de 25 anos foi detido, por estar usando uma fantasia de militar e uma máscara de "demônio", sob a alegação de desacato a autoridade. Algumas horas depois, o estudante foi liberado e responderá processo.



Os advogados do Centro de Direitos Humanos foram acionados para a mobilização de absolvição do estudante. Hoje, a partir das 17 horas, haverá uma reunião no Centro de Direitos Humanos para discutir as posturas de defesa no caso.



crédito das fotos: http://www.mpljoinville.blogspot.com/

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Texto sobre a ditadura

O texto do Éliton Felipe, do 4º ano, sobre as discussões acerca da ditadura militar que ocorreram nas ultimas semanas na mídia local foi publicado no AN deste domingo, 7 de setembro, tanto na versão online quanto na versão impressa. Confira em:

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2166339.xml&template=4187.dwt&edition=10640&section=882

Ossétia do Sul nas Olimpíadas de 2012?

Texto enviado por ex-acadêmico do curso...


Ossétia do Sul nas Olimpíadas de 2012?

Israel Aparecido Gonçalves*

Nas páginas de jornais recheadas de temas ligados às Olimpíadas dividem espaço, nas suas colunas, com o conflito na Ossétia do Sul. Ainda não sabemos o que ocorreu de fato, se foi um conflito marcado por uma guerra civil ou uma invasão da Federação Rússia sobre a República da Geórgia.
Mas sabemos por meio da mídia que o conflito tem seu eixo na declaração de independência da Ossétia do Sul, região ao norte da Geórgia que busca autonomia desde o início da década de 90. A região nunca foi reconhecida por nenhum país, nem mesmo pela Federação Russa, que se atribui protetora daqueles habitantes. Os “ossetienses” que são cerca de 3% da população da Geórgia afirmam pertencerem a “etnia” eslava e não georgianos. Assim, vimos pela mídia manchetes afirmando que era uma guerra “étnica”.
Ai tem um problema, pois falta compreender melhor o que seria uma etnia, será que realmente é uma guerra étnica? Lembramos que o território georgiano já foi ocupado por vários povos, tanto gregos, romanos, mongóis, persas, muçulmanos e essa mistura “a maneira brasileira” criou o povo georgiano que é hoje de maioria cristã ortodoxa. Já a Ossétia do Sul foi uma invenção de Josef Stálin, que era georgiano, mas comandava a União Soviética, hoje Rússia, e queria através dessa invenção territorial controlar melhor a região que é rica em petróleo. Os “ossetienses” do sul querem se unir com a do norte, mas não há significativa diferença entre as duas Ossétias? A do Sul é cristã e de maioria persa e não eslava e a do norte é islâmica e se reconhece como eslava.
Na história temos dois grandes exemplos dessas invenções de “culturas”, em 1994 há em Ruanda um massacre dos Hutus contra os Tutsi, mais de um milhão de pessoas morreram em menos de três meses. Os Hutus se diziam diferentes etnicamente. A grande diferença entre esses dois grupos era, segundo os Hutus, o tamanho do nariz e a maior estatura dos Tutsi, como a população é negra em Ruanda e o nariz era semelhante tanto entre um grupo como em outro grupo “étnico”. Assim para definir de forma mais objetiva quem somos “nós” quem é o “outro” se usou uma outra maneira para diferenciar as “etnias”. O meio utilizado era a carteira de trabalho, que continha a identificação da “etnia” naquele momento, tal documento e diferenciação foi feita pelos Belgas que tinham a região como Colônia até meados da década de 60.
O outro exemplo retiro do filme: “Terra de Ninguém” que mostra a guerra civil na ex-Iugoslávia, no início década de 90, que como sabemos foi marcado por um discurso de “guerra étnica”, ou melhor, foi na realidade uma limpeza étnica. O filme mostra através de um tragicômico episódio, todavia muito interessante, a situação de dois soldados - um de cada lado do conflito -, um da Sérvia e outro da Bósnia. Eles ficam na mesma trincheira, mas como os dois tinha o mesmo tipo de fardamento, ficou complicados para todos, para mídia, a ONU e até para as parte envolvidas diretamente no conflito saberem quem é quem naquele local.
O conceito de etnia, assim é manipulado sempre pelo “outro” para justificar suas ações, que geralmente são pautas pela eliminação da “etnia” classificada como diferente. A diferença está mais em uma linha imaginária, criada por meio de uma geografia simbólica, onde os de “lá” são diferentes, por isso, menos merecedores de direitos, do que ações culturais efetivas. Como já citei acima, a região da Geórgia já foi habitada por vários povos, que cultivaram várias formas de vida, isto é, não há como afirmar uma pureza “étnica” entre os georgianos e nem entre os “ossetienses”.
O que parece ocorrer na Ossétia do Sul, é mais um conflito para controlar regiões petrolíferas. Claro, também se soma a isso, a demonstração de força do grande “urso russo” para o mundo, pois cheio de vaidades de botequim, ainda rosna sua força bélica no Cáucaso e exige que lhe façam suas vontades. Esse teatro sangrento é mais para americano ver e de reabilitação no cenário internacional como grande potência. Pois se os russos controlarem a Geórgia, terão também sobre o seu controle o oleoduto financiado pelos EUA que sai do Azerbaijão e passa pela capital Tbilisi (Geórgia) e vai até o mar Negro, questão de cunho estratégico para os estadunidenses.
Mas tenho um exemplo de como o conceito de etnia, de pertencimento ao um grupo, pode ser transferido de forma estratégica “ao outro” dependendo da conveniência dos membros que compõem aquele grupo. Se pegarmos as duplas de vôlei que estão jogando nas Olimpíadas em Pequim, tanto a masculina como a feminina da Geórgia, são compostas por brasileiros, claro, naturalizados, ou seja, aceito como georgianos, assim se eles receberem medalhas, serão contadas para Geórgia e não para o Brasil.
Aí fiquei curioso, caso ocorra independência na Ossétia do Sul, que grupo “étnico” representara-los nas próximas Olimpíadas em 2012, serão: eslavos, persas ou brasileiros?

Israel Aparecido Gonçalves, formado em História pela UNIVILLE (2004) e especialista em Sociologia Política –(UFPR/2007)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Das discussões sobre a ditadura na mídia local

Nos últimos dias pôde-se acompanhar o Debate entre leitores do Jornal A Noticia sobre os crimes ocorridos durante a Ditadura Militar no Brasil. O Regime Ditatorial surgiu a partir das ameaças sofridas pelas elites brasileiras nas décadas de 1950/1960 através das reformas de esquerda. Essas visavam melhor distribuição de renda, reforma agrária, reforma financeira e estudantil e principalmente, criava a Lei de Remessas de Lucro, obrigando as empresas estrangeiras a deixarem no Brasil, através de impostos, a maior parte dos lucros obtidos com a exploração da mão de obra brasileira.

A fim de manter sua hegemonia sobre a economia e a política da nação, os grandes grupos estrangeiros junto à elite do país criaram um quadro favorável para o Golpe de Estado. O Regime Militar se estabeleceu tendo como desculpa evitar que os comunistas “tomassem” o poder. Para isso, criou-se um plano de Governo que em tese desenvolveria a economia brasileira e tornaria o Brasil um país de “1º Mundo”.

O Brasil sofreu influência direta dos Estados Unidos que durante a Guerra Fria estendeu o seu domínio político-econômico pelos países latino-americanos apoiando Golpes de Estado com armas e dinheiro. Defensores dos direitos humanos e da liberdade de imprensa, músicos e políticos foram presos nos porões do Departamento de Ordem Política e Social - DOPS, torturados e usurpados de seus direitos por não concordarem com as medidas tomadas pelo Governo Militar.

No Dossiê Brasil Nunca Mais produzido pela Igreja Católica na década de 1980 consta processos de alguns desses militantes cerceados de seus direitos. Nele os pesquisadores comprovam que as torturas foram institucionalizadas no país e, que a prova disso não estava na aplicação das torturas, mas no fato de se ministrarem aulas a este respeito. Essas aulas eram para até cem militares. O instrutor da Unidade Militar, depois de projetar “slides” sobre torturas as demonstrava na prática, nos acusados.

Em 1968, com o crescimento das manifestações populares, o Governo baixou o Ato Institucional Nº. 5 – AI-5. Criando então, um aparato de órgãos de segurança, com poder autônomo, que levou milhares aos cárceres, e transformou a tortura e o assassinato numa rotina. Os porões do DOPS se entupiam de presos políticos seqüestrados.

A Operação Barriga Verde foi a principal intervenção militar no Estado de Santa Catarina durante o período. Nela vários catarinenses considerados “um sério perigo a estabilidade do governo” foram seqüestrados, interrogados e torturados.

No fim da década de 1980 o país tinha multiplicado sua divida externa, mostrando que o Plano de Governo instituído pelos Militares havia fracassado, a inflação tinha disparado e a desigualdade social se elevado.

Em troca dessas “benesses” o governo deixou um saldo de 380 militantes mortos e/ou desaparecidos, sendo que sete famílias catarinenses até hoje não receberam noticias de seus filhos, presos e “evaporados” pelo regime. Outras cinco puderam pelo menos receber o corpo e de dar um enterro descente à quem abdicou do direito a vida em prol da luta contra a Ditadura.
Com a Lei de Anistia de 1978, presos políticos tiveram seus direitos restituídos e exilados puderam retornar ao país. Contudo a Lei se aplicou também, àqueles que fizeram parte dos Órgãos de Repressão deixando-os impunes e livres para viverem suas vidas como bem entendessem.

Hoje existe a possibilidade de vermos os torturadores e assassinos atrás das grades, de vê-los pagar pelos seus crimes. Porém, setores do exército e da direita brasileira nos acusam de “Revanchismo”. Revanchismo seria se colocássemos todos no pau-de-arara ou lhes aplicássemos choques em suas genitálias e línguas por horas a fio. “Revanchismo” seria se colocássemos suas esposas e filhas nuas em celas repletas de ratos e baratas ou que espancássemos suas grávidas e estuprássemos suas filhas.

Não! O que queremos é justiça! É podermos olhar pra frente de cabeça erguida sabendo que as mortes de tantos brasileiros não ficarão impunes e que temos a garantia de que nossos direitos serão assegurados.

É por isso que o Centro Acadêmico de História Eunaldo Verdi (Calhev) é favorável à abertura dos arquivos das Forças Armadas e a Condenação de todo aquele, seja civil ou militar, que esteve envolvido nos crimes de tortura, que se caracterizam como: Crimes contra a humanidade.
Eliton Felipe de Souza, acadêmico do 4º ano de História da Univille.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

PARA QUE SERVE O MURALISMO?




Achei esse texto interessante, pois em muito serve à nossa situação na UNIVILLE, quando, há alguns meses, atrás a atual gestão do DCE - "Mude" pintou de branco a parede onde havia o mural do Félix (que o CALHEV já escreveu e agiu sobre) e também da situação de ausência de liberdade de expressão proporcionada pela nossa "querida" reitoria (ou seria querida de outros?), que não permite a manifestação livre nas paredes da universidade com cartazes, por exemplo. Aí vai o texto:




O Coletivo de Ação e Propaganda Muralha Rubro Negra diante da polêmica referente a pintura mural realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS, que culminou em processo de uma estudante e companheira de luta, se posiciona e reforça o uso da arte como um fator de discussão social, ou seja, trata-se de uma manifestação artística que se solidariza com as lutas populares, como a defesa da Universidade Pública e Popular. Mas, o que é que tanto incomoda nisso tudo? Será a frase “Para que(m) serve o teu conhecimento”, escrita e visível em local de grande circulação de pessoas, ou a utilização de uma estética não aceita por setores da nossa sociedade justamente porque ela tem um caráter informativo, é um elemento de formação de subjetividade, e, nesse sentido, um elemento de disputa ideológica?



Historicamente a Universidade sempre se posicionou nas disputas de saber/poder. A afirmação da “neutralidade” do conhecimento científico se caracteriza por ser um discurso que ignora o caráter social que condiciona determinadas noções de ciência e que determina as investigações científicas a serem feitas. Este discurso de “neutralidade” científica, que despolitiza o conhecimento, é uma grande “estratégia de marketing” que se propagou e que adapta o sistema educacional aos interesses bem específicos de determinada classe política e econômica.


Apesar de se dizer um espaço de produção de conhecimento na prática a Universidade se fecha à discussão, e, nesse sentido, o muro se caracteriza como a nossa imprensa, a imprensa do povo! É nesse local de livre acesso de todos que se expressa nossa estética, nossa compreensão e crítica ao atual modelo de educação sucateada já em seu nível escolar fundamental e médio que impossibilita o acesso da periferia à Universidade, nosso questionamento sobre a utilização da universidade pública, cada vez mais distante das necessidades populares e da agregação de outros tipos de saberes e experiências étnico-culturais.


Esta semana o debate sobre o mural foi inflado pelo destaque dado ao tema por Zero Hora. A abordagem do fato produzida por este periódico na edição desta quarta-feira, dia 27 de Agosto, distorceu de tal forma a declaração da militante, a ponto de destituir o caráter político da ação, e a definindo como um serviço de embelezamento da universidade.


O acionamento do Ministério Público Federal para punir os responsáveis pela intervenção configura-se novamente como uma tentativa de legitimar um posicionamento particular a partir da universalidade das leis. Esta ação objetiva cercear uma manifestação de natureza político-artística através do enquadramento na categoria de vandalismo. Caso esta ação seja acolhida pelo MPF, não será a primeira vez que o recurso ao Estado Democrático de Direito será usado para criminalizar a própria democracia.


Com nossa prática muralista de intenção revolucionária fica registrada a denúncia sobre o acesso, a produção e o uso do conhecimento, o comprometimento com a transformação da realidade, com a participação e com o direito a voz. Viemos romper o cerco, potencializar os conflitos, pois não fazemos apenas muralismo, e, sim, acreditamos que o muralismo serve para informar os problemas sofridos pelo nosso povo que resiste a opressão. Defendemos o saber engajado com as lutas políticas e sociais dos oprimidos a partir de uma ação artística coletiva, solidária e como um instrumento artístico emancipatório.


fonte:



e quem se interessou: