sexta-feira, 31 de julho de 2009

Cinema em Joinvas

Ciclo de Cinema na Cidadela Cultural Antarctica
Rua 15 de Novembro, 1.383, América
Sextas e sábados, às 19 horas

Hoje(31) "Saawariya - Apaixonados" (Índia, 2007)
Amanhã(1) "Homem Olhando para o Sudoeste" (Argentina, 1986)

7 de agosto"Morango e Chocolate" (Cuba, 1993)

8 de agosto"Machuca" (Chile, 2004)

14 de agosto"O Rei do Tráfico" (Colômbia, 2004)

15 de agosto"Vozes Inocentes" (Porto Rico/México/EUA, 2004)

21 de agosto"Whisky" (Uruguai, 2004)

22 de agosto"Hamaca Paraguaya" (Paraguai, 2006)

28 de agosto"Qué Tan Lejos" (Equador, 2006)

29 de agosto"O Búfalo da Noite" (México, 2007)

Clube de Cinema do Bom Jesus/Ielusc
Rua Princesa Isabel, 438
Sábados, às 19 horas

Amanhã(1) "Ensaio de Um Crime" (México, 1954)

8 de agosto"Deserto Vermelho" (Itália, 1964)

15 de agosto"Eraserhead" (EUA, 1977)

22 de agosto"Fanny & Alexander" (Suécia/França/Alemanha, 1982)

29 de agosto"Sozinho Contra Todos" (França, 1998)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mudanças na UNIVILLE?

Não me lembro bem ao certo a data de quando os boatos começaram, mas, se não me engano, foi há mais ou menos um ou dois meses atrás, ainda na antiga gestão. De acordo com tais boatos, o departamento seria mudado para outro local. Naquela época, Professor Afonso Imhof, Chefe do Departamento, assegurou que a sala do CA seria mantida no seu devido local.

O tempo foi passando, a Gestão 8 de Maio assumiu, em momento algum nós ficamos sabendo de qualquer mudança nos planos da Instituição em transferir o nosso espaço para algum outro lugar. Até que no dia 17/07/09, sexta-feira, uma faca foi cravada no peito de todos aqueles que dedicaram seu tempo, e porque não, um período de sua vida ao nosso Centro Acadêmico. Afirmo isso pois acompanhei toda a repercussão na comunidade e vi toda a tristeza que os egressos e acadêmicos sentiram ao saberem da perda. A UNIVILLE, que sempre se julgou uma instituição tão democrática, sem aviso prévio, nem nenhum contato com qualquer pessoa ligada ao CALHEV, derrubou as paredes que faziam as divisórias do antigo Departamento de História.
O que, conseqüentemente, deixou o nosso CA sem sala. Pessoas ligadas à Gestão só ficaram sabendo por intermédio de pessoas que trabalhavam no Laboratório de História Oral, que também teve que mudar de local.

Hoje, dia 23/07/09, eu e a Marluce, conversamos com o Prof. Afonso, por volta das 18h, e tivemos a notícia de que as mudanças de plano para o Layout novo foram feitos em cima da hora, em uma reunião em que ele não se fez presente. Após isso nos dirigimos ao Departamento de Patrimônio, onde fomos mais uma vez negociar com a Geórgia, pessoa que está coordenando as mudanças, e a mesma se comprometeu em, além de conseguir um espaço novo para o CALHEV, fazer um layout novo para o DCE onde haja espaço para todos os CAs ativos e o CEE, para que estes possam estar se articulando politicamente.

São através destas medidas que notamos não existirem mudanças nos chefões do universo UNIVILLE. Nós, estudantes, continuamos alheios às decisões tomadas pelos engravatados que definem tudo arbitrariamente, continuamos sem poder participar das discussões quanto ao aumento das mensalidades e agora quanto à nossa remoção. Nós do CALHEV sempre estivemos presentes nas lutas do Movimento Estudantil na UNIVILLE e na cidade, e por muitas vezes, representamos mais os estudantes do que o próprio DCE. Não aceitamos tamanha afronta e falta de respeito, exigimos um espaço igual, ou melhor que o utilizado anteriormente, e também um espaço novo para os outros CAs. Apenas desculpas não bastam, queremos ação por parte da instituição, queremos DEMOCRACIA.
Escrito por Pato, 2º ano.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Coluna do SINTE - 16/7/2009

ALESC É CARTÓRIO DE LHS
Autor: Diretoria executiva do SINTE/SC

A ALESC mostrou ontem o quanto segue a política do Governo LHS: antidemocrática, autoritária e ditadora! Durante a votação do projeto de lei 015 (Plano de Carreira) e 029 (Fundeb) a segurança do poder legislativo catarinense usou de truculência e violência contra os trabalhadores de Educação. Três professores foram violentamente atingidos pelos policiais quando tentaram entrar no plenário da Alesc para acompanhar a votação: um foi encaminhado ao hospital com suspeita de fratura na costela; outro recebeu um ferimento no rosto e o terceiro sobre uma “gravata” que quase o sufocou.

A violência dos seguranças das ALESC contra os servidores estaduais é reincidente: no ano passado, durante a votação do IPREV, os policiais militares e civis também agrediram os servidores públicos. Esta é a forma que o LHS recebe os servidores na Casa do Povo!

Este lamentável quadro demonstra que a população catarinense não tem poder legislativo, mas sim - com exceção de alguns deputados - um executivo que não dialoga, não discute e utiliza a violência para afastar os trabalhadores e mantê-los impedidos de lutar por seus direitos adquiridos de forma legítima. A maior parte dos deputados diz “Amém” a tudo o que o Governo LHS determina, sem questionamentos e sem senso de responsabilidade para o qual foi eleita.

A violência que normalmente o Governo LHS emprega contra os movimentos organizados dos servidores é reflexo das escolas, onde não é permitido o diálogo, onde há repressão por maioria dos diretores e onde se convive com constantes ameaças.

O resultado da votação dos projetos 015 e 029 foi uma vergonha para a Educação e população de Santa Catarina; o poder legislativo aprovou projetos construídos de forma antidemocrática, sem o debate e discussão de sua elaboração com o Sindicato; além de trazerem pontos inconstitucionais, como é o caso dos assistentes de Educação, que não podem se afastar do cargo; aumenta o número de alunos para a regência de classe da Educação de Jovens e Adultos, cria rivalidade entre assistentes de Educação e técnicos pedagógicos, porque oferece gratificações distintas; e desmonta o Plano de Carreira do magistério. A lei do Piso, apresentada pelo Governo Estadual, ilude a categoria com reajuste que, de fato, não existe. LHS propôs a incorporação de R' 100,00 paga em 4 parcelas até agosto de 2010 e sem correção monetária.

Este aumento que o governador Luiz Henrique e o secretário da Educação Paulo Bauer alardearam nos meios de comunicação, na semana passada, representa uma mentira; pois não reflete ganhos significativos na tabela salarial do trabalhador em Educação da rede pública estadual.

O SINTE considera que esta é uma das piores propostas impostas à categoria por um governante; além de retirar direitos, desvaloriza o trabalhador em Educação.
No cenário nacional, Santa Catarina é um dos estados da federação com o maior número de profissionais em Educação com nível superior; mas, infelizmente, a proposta do Governo aprovada ontem na ALESC e a postura dos deputados da base governista, desconsideram este dado e se colocam contra a valorização e avanço da Educação pública catarinense.

Se você quiser receber a coluna do SINTE/SC por e-mail toda semana e informações sobre as atividades do sindicato, cadastre o seu endereço eletrônico. É só nos mandar um e-mail.

EXPEDIENTE:
Esta coluna sai às quintas-feiras no Jornal A Notícia

[AN] Dois confrontos na Assembleia

Manifestantes protagonizam cenas de violência em votação de projetos para professores e policiais militares


O dia foi tumultuado ontem na Assembleia Legislativa. Pela manhã, policiais militares de folga foram autorizados a entrar armados na casa – o que é proibido – para a discussão do projeto nº 027/09, que institui critérios de valorização profissional para a categoria. O clima tenso obrigou o presidente da casa, deputado Jorginho Mello (PSDB), a suspender a sessão e adiar a votação para hoje.


A confusão continou à tarde, quando professores e integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) tentaram invadir o plenário.
Eles queriam o pagamento integral do abono de R$ 100 em vez do parcelamento em quatro vezes, como foi aprovado (confira quadro ao lado).A confusão foi gerada porque os deputados tinham pressa em aprovar os projetos antes do recesso parlamentar, de amanhã a 3 de agosto. Cerca de 800 pessoas acompanharam a sessão nas galerias, que têm espaço para 220.O Sinte afirma que seis professores tiveram ferimentos.


Luiz Pustiglione, coordenador do Sinte em Florianópolis, ficou com a camisa rasgada e marcas de agressões nos braços. A professora aposentada Maria Tereza Cunha, 58 anos, foi empurrada. Um grupo de oficiais da PM que estava ao lado do incidente não interveio.Os ânimos só se acalmaram depois de cinco minutos de confronto, com a intervenção dos deputados Kennedy Nunes (PP) e Ângela Albino (PCdoB).


http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2581619.xml&template=4187.dwt&edition=12725&section=884

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Entrevista com o Prof. Tonhão

"Conversar com o professor Tonhão é estar diante de alguém que participou ativamente dos principais processos políticos do país, sobretudo no que diz respeito aos altos e baixos que teve a atividade sindical desde os fins da década de 1970. Ele esteve na fundação da CUT e do Partido dos Trabalhadores (PT), quando estes eram ainda tidos como organizações ultra-radicais até pelos militantes de horizontes mais revolucionários."

leia na íntrega em http://passapalavra.info/?p=7955

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O MST, a luta pela Democratização da Terra e da Soberania Popular

*Resposta do estudante Willian, do primeiro ano de História, à cronica do advogado Marcelo Harger publicada no Jornal A Notícia no dia 8 de julho de 2009.



O Movimento denominado pelo Srº MARCELO HARGER como Movimento dos Sem-tolerância, nada mais é do que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), maior e mais bem organizado movimento social de reivindicação e da luta pela reforma agrária no mundo, reconhecido mundialmente como importante organização para o processo de democratização de nosso país, inclusive pela ONU.

O que não trata o Srº Marcelo, é que o mesmo movimento que ataca, ocupa propriedade improdutivas, que não respeita as leis trabalhistas nem as ambientais. Essas terras que não cumprem sua função social como afirma a Constituição Brasileira nos artigos 184 e 186, devem ser desapropriadas para fins da reforma agrária. Se o MST, e os trabalhadores rurais sem-terra ocupam essas terras é por que não se tem o interesses das elites econômicas e políticas como o Srº Marcelo Harger de revolver este problema social histórico.

Lembrando que falo da maior concentração fundiária do mundo, origem de toda concentração de riqueza de nosso país e base da miséria que assola nosso povo no campo e nas cidades. Sendo utilizados pelos ricos e poderosos de nosso país todos os meios e mecanismos como o Ministério Público fascista do RS para criminalização de movimentos legítimos como o MST, suas escolas de formação humana, acampamentos, assentamentos e cooperativas que vem produzindo cada vez mais alimentos, exemplo a Terra Viva de nosso Estado que muitos conhecem.

O objetivo de uma reforma agrária deve ser de recuperar a esperanças e dignidade de milhões de trabalhadores brasileiros historicamente roubados, excluídos e marginalizados. Corrigindo a produção nacional de forma mais responsável e com o intuito de alimentar um povo, que todos os nutricionistas afirmam não ter o que comer, nem saber como se deve comer, e assegurar terras, dentro de novos termos de divisão do solo, para uma sempre maior população até agora sem alimento, sem teto, sem terra e instrumentos de trabalho próprios; as margens do grande latifúndio apesar de constituir uma classe de milhões de cidadãos na mais injusta e na mais irremediável das desigualdades, à econômica.
A reforma agrária consiste na democratização da terra que a partir da invasão europeia foi grilada, cercada e manchadas de sangue de índios, negros, colonos pobres, ou seja, da maioria do povo brasileiro, hoje se encontra nas mãos das grandes multinacionais que devastam, queimam e destroem nosso país em nome de um desenvolvimento nacional irresponsável, insustentável e desigual.
O Latifúndio permanece ainda hoje sendo sinônimo de riqueza, status e fetiche de nossa burguesia nacional controlada pelo capital financeiro internacional explorando milhões de crianças, adultos e velhos no antigo regime escravocrata e servil brasileiro onde predomina a monocultura da soja, da cana de açúcar e do pinús num processo industrial e comercial milionário que é voltado à exportação não tendo nenhum interesse com a soberania alimentar de nossa nação. A reforma agrária não será medida de Estado ou governo mais da vontade e interesse da população brasileira.

Convido-os a todos a conhecerem os assentamentos do MST na região, sua atividades de formação humana, de sua produção baseadas na agroecologia e na pluricultura, para que todos constatem que não tem monstros no campo, há não ser os que sustentam, defendem e legitimam o latifúndio assassino e desumano.

Willian Luiz da Conceição é estudante de História da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE, presidente do PSOL – Joinville e colaborador do setor de relação com a sociedade do MST.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O Bonde da História [*]


Um dos cursos mais mobilizados durante a greve da USP conseguiu construir, mesmo em meio a tantas dificuldades, relações interessantes entre os estudantes e professores grevistas, gerando debates que iam além dos fatos e criando formas dinâmicas de articulação. Por Luis Branco



A greve do primeiro semestre de 2009 na USP [Universidade de São Paulo] ficará marcada pela latência da crise das instituições de poder e representatividade da universidade. Seu fim, sem a conquista das pautas [reivindicações] mais evidenciadas, embora nos dê um gosto amargo, parece dessa vez não significar um momento alto de desgaste, sucedido por um período de “ressaca”. Pelo contrário, a simultânea saída das três categorias [1], articuladas no sentido de não só questionar, mas concretamente alterar a estrutura de poder na USP, significa que, para além das pautas específicas de cada categoria e a despeito de seus posicionamentos e ações políticas diferentes, a USP não ficará tal como está: chegamos ao limite.



A tensão será a tônica do próximo semestre. É bom lembrar que haverá eleição para reitor. A mobilização estudantil no curso de História certamente continuará forte nesse segundo semestre; ainda que com algumas limitações, uma profunda reflexão sobre o momento pelo qual estamos passando e a real possibilidade de intervenção efetiva nele foram construídas nesse mês de junho. A idéia aqui é dividir com todos o que foi, então, esse processo na História, sua mobilização e suas perspectivas.



A negação do diálogo e a (in)conseqüente opção da reitoria pela entrada do aparato militar para repressão propiciaram uma rápida resposta de parte da comunidade universitária, indignada com a presença da Polícia Militar no campus para “mediar” as relações entre as categorias. Os estudantes do curso de História deliberaram por greve no mesmo dia, como reação imediata a essa atitude.
Durante os dois dias seguintes, a mobilização no curso se deu por passagem nas salas no sentido de paralisá-las, conversando com os colegas e docentes sobre os motivos da greve. A partir do terceiro dia, barricadas, para impedir os fura-greves e forçar o diálogo e o posicionamento de professores e estudante, que se colocavam como indiferentes à grave situação presente da USP, completamente fora de sua normalidade.



A conseqüência das barricadas foi o tensionamento no departamento. A direita dos alunos se organizou para desmontar as cadeiras que bloqueavam os corredores na surdina, para jogá-las nos grevistas, chamar a polícia para garantir o tão propalado “direito de ir e vir” e o “direito de ter aula“. A chefia do departamento, compreendendo o grave momento que se colocava, convocou uma plenária departamental para discutir os acontecimentos. Com boa presença de discentes e docentes, a plenária girou em torno do fato de estudantes e professores desrespeitarem os fóruns das categorias e as suas decisões. A maioria dos presentes se colocou como preocupada em relação a isso: é evidente que os fóruns de deliberação possuem problemas, porém eles são os espaços coletivos, públicos, de discussão. Se existem problemas, cabe a todos tentar melhorar esses fóruns, quem sabe até transformá-los, para que eles recuperem sua legitimidade. Decisões e posicionamentos individualistas foram amplamente lamentados, rejeitados.



A constatação de que o nível de hostilidades era crescente entre os estudantes, e que alguns professores não iriam respeitar a decisão do movimento estudantil da História de paralisar as aulas por completo, passou pela questão de que esse tensionamento se dava muito pela inexistência de um canal de diálogo, de um debate franco entre os indivíduos que compõem o departamento.



A partir disso, estudantes e professores buscaram criar esse espaço de diálogo. O resultado foram os chamados «bate-papo [conversas] semanais», às quartas-feiras, em que professores e estudantes expõem, da maneira mais livre possível, suas visões sobre a greve, os problemas do departamento, análises e propostas sobre a USP. Foram até agora quatro encontros muito interessantes. Se o primeiro começou com uma série de desabafos pessoais sobre o que significava a universidade, a greve, o curso de História para cada um (o que demonstra realmente a falta de espaço para se debater publicamente uma série de questões), a última terminou com idéias sobre qual é o papel da Faculdade de Filosofia na universidade, na sociedade; sobre a estrutura de poder no departamento e na USP; o que significa uma greve; que tipo de estudante entra na História, que tipo de historiador, de cidadão estamos formando, que tipo de professor entra no departamento; o caráter político das aulas ministradas, o papel do professor, a estrutura curricular do curso, o caráter das pesquisas, o peso do CNPQ e da FAPESP [instituições de financiamento à pesquisa], as condições de pesquisa oferecidas na graduação e na pós-graduação, a falta de relação entre elas… Enfim, uma série de reflexões há tanto tempo acumuladas individualmente ou guardada por poucos grupos e que agora se abrem para o esforço de pensar coletivo, um esforço de elaborar projetos coletivos de transformação. Garantido esse espaço e que as decisões tomadas coletivamente seriam respeitadas, as barricadas deixaram de cumprir o seu papel, fundamental, aliás, para que ocorresse efetivamente uma mobilização ativa e complexa no curso.



As plenárias dos estudantes de História durante o período em que a greve esteve vigente sempre giraram em torno de 100 alunos – um número muito significativo. Diferentemente das assembléias gerais, com seus vícios, conchavos, manobras e marcações de posições intransigentes de certos grupos partidários, as plenárias da História, embora cansativas como toda plenária, correram num clima de respeito às posições, discussões intensas e complexas sobre as pautas da greve - superando, inclusive, essas. A penúltima, nem mesa tinha – e funcionou muito bem! Isso se deve ao grande e intenso envolvimento dos estudantes autônomos, militantes independentes – a atuação destes permite que as diferenças possam coexistir e serem discutidas, proporcionando uma radicalização do debate e das tomadas de posição. Assim, os partidos políticos são impossibilitados de se tornarem “a vanguarda do movimento” (argh!): não conseguem pautá-lo e delimitá-lo politicamente. Não engessam [congelam] o processo de reflexão e radicalização, o que esvazia o próprio movimento. Foram obrigados de fato a dialogar e a construir verdadeiramente com seus colegas.



Durante o processo de mobilização, nos bate-papos de quarta-feira, nas plenárias estudantis e nos comandos de greve, uma das coisas mais colocadas foi a necessidade de se aprofundar os temas que geraram maior discussão no departamento. Surgiu a idéia, por exemplo, de se ocupar as salas de aula, no período de greve e também quando esta acabar – com grupos de estudos e trabalho. Quatro já foram formados, sendo que dois já estão funcionando. São eles:
*Ensino de História;*Universidade: Projetos;*História Recente do Movimento Estudantil;*Estado, Violência e Autoridade.




Assim, o que se busca é pensar, estimular um outro projeto não só para o departamento de História, mas para a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, resgatando o seu espírito crítico na universidade e também na sociedade, pois é evidente que esse está se desmilinguindo [desmanchando], sendo massacrado pelo produtivismo acadêmico e pela noção, tosca, de que a Universidade é uma mera prestadora de serviços, formadora de profissionais.



É preciso, sim, reafirmar a história da FFLCH [Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas] e as suas lutas. É preciso fazer a história do departamento de História, ainda inexistente, para que a gente não ouça mais absurdos como os ouvidos no último mês, de que “greve não serve para nada”, “sou contra a greve política (????)”, “o meu direito de assistir (ou dar) aula tem que ser respeitado”, “quero me formar e ponto” ou atitudes de franca ridicularização por parte de alguns professores e estudantes frente àqueles que buscavam dialogar com seus colegas. Isso sem contar as manifestações de cunho classista contra os funcionários e o seu direito de greve. Essas frases e atitudes foram, sobretudo, realizadas por gente que está cursando o seu primeiro ano, segundo ano. Pois é evidente que a greve desse semestre é um divisor de águas no que diz respeito à mobilização, em vários sentidos. Aponto aquele que nos interessa nesse texto: o conservadorismo, a tecnocracia e a ação reacionária que se encontram de maneira bem mais organizada na Faculdade de Filosofia – e não se restringe aos professores e a um pequeno grupo de estudantes.



A disputa está dada e não basta apenas nos defendermos contra o processo de desmantelamento, de esvaziamento das chamadas Ciências Humanas. Reafirmo: é preciso atacar - o que significa irmos além do urgente resgate político e acadêmico da FFLCH, mas elaboramos um novo projeto, um novo sentido para a sua existência, que a coloque em relação com as questões, a problemática da nossa sociedade, com os movimentos que visem a sua transformação.



O que houve no curso de História foi um salto de qualidade no que tange a organização do movimento e no embasamento das discussões. A saída da greve se tornou inevitável, e a sua escolha, dentro de um contexto maior, preserva os ganhos que essa mobilização teve. Não, não falo em vitórias e derrotas – a idéia aqui não é vender os resultados da greve. É constatar que, ainda que as pautas que encabeçam o movimento geral não tenham sido alcançadas - Fora PM, Fora Reitora, Fora Univesp (o que aponta para os limites do movimento, que devem ser discutidos criticamente) - na História houve um real aprofundamento do que significa a Univesp, o que é o ensino à distância; a entrada e permanência da PM, o papel, aliás, da PM na sociedade (defendemos o FORA PM DO MUNDO!), o que significa o exercício de poder na USP, que aliás tem muito a ver com a periodicidade em que ocorrem as greves.



Em agosto, a volta às aulas, com garantia de reposição efetiva, se apresenta com uma perspectiva de empenho, para estudantes e professores, de continuar fortemente a mobilização a partir, então, de um patamar de debate mais qualificado e com muitas ações já em mente, visando a articulação de todo o departamento - funcionários inclusive, uma vez que, sem dúvida, não conseguimos aproximá-los das discussões, um problema grave. Logicamente que julho não passará batido. Os grupos de estudo e trabalho continuarão na ativa, bem como reuniões visando a organização do semestre no que tange as lutas.



Ficou claro que posicionamentos individualistas não serão mais tolerados no departamento e sim atacados. Cabe aos estudantes continuar puxando e tensionando. O fim da greve não deve ser encarado como a volta à normalidade. E isso é um grande desafio: é difícil nos mobilizarmos realmente, concretamente, com as aulas de volta (até quando estamos em greve as dificuldades são grandes!). Por isso, mais do que alterar a estrutura de poder, necessária mesmo num departamento conhecido como um dos mais democráticos da USP, a questão é exercer de fato o poder (tomá-lo ou destruí-lo…) exercer de fato a democracia. É agir no sentido de que não serão mais as aulas ordinárias, as atividades acadêmicas que ditarão o ritmo do departamento.



A mobilização na História tem um peso muito grande no movimento. Não é à toa que as bombas da polícia estouraram no prédio que nos abriga, além de outro curso bem mobilizado, o da Geografia. Nossas posições e ações influenciam, certamente, os outros cursos da FFLCH. Para que esses debates de fato possam vislumbrar um maior alcance é preciso articularmos com os nossos vizinhos, aprofundando as discussões e a radicalidade a partir do acúmulo já construído, para a Faculdade de Filosofia tomar uma posição clara na disputa pela universidade e na sociedade.



[*] Bonde [carro eléctrico] da História é como alguns alunos do curso, muito ativos na mobilização e notadamente conhecidos por sua criatividade na composição de músicas e ações para as manifestações, se denominam.
[1] A assembléia geral dos estudantes ainda não deliberou o seu fim, mas a tendência é a saída da greve, seguindo o posicionamento das assembléias de curso, que definiram por sua suspensão - casos da História, Geografia e Filosofia.